
Lucy Brandão
lucy@tvclube.com.br
O Banco Central anunciou uma elevação na taxa básica de juros, a Selic, de 7,75% para 9,25% ao ano, na última quarta-feira (8). Se você está entre aqueles que não entendem o que, exatamente, isso significa, leia a reportagem até o fim e confira por que o portal ClubeNews tem uma notícia boa e outra ruim sobre o assunto, como diz o ditado popular.
A boa notícia é que a poupança volta a ter rendimento pela regra antiga, com retorno fixo de 0,5% ao mês + TR (Taxa Referencial) – o que significa um rendimento de 6,17% ao ano. A notícia ruim é que, mesmo rendendo mais, esse tipo de investimento vai continuar perdendo para a inflação, que no acumulado dos últimos 12 meses já ultrapassou 10%. Ainda continua sem entender nada? Continue lendo.

Poupança e Selic
De acordo com a legislação, quando a Selic é igual ou inferior a 8,5% ao ano, a remuneração dos depósitos de poupança é composta pela TR mais 70% da taxa Selic mensalizada. Com a Selic acima de 8,5% ao ano, a poupança volta a render TR mais 0,5% ao mês (6,17% ao ano). Este rendimento já era aplicado na chamada “poupança velha” (que já existiam com depósitos feitos até abril de 2012).
Na simulação de R$ 1.000 aplicados na poupança por 12 meses, a Associação Nacional dos Executivos de Finanças Administração e Contabilidade (Anefac) mostra os seguintes rendimentos:
Antes do aumento da Selic (até 08/12/2021): rendimento de R$ 54,30 (totalizando R$ 1.054,30 ou 5,43% ao ano) = R$ 1.054,30 em um ano;
Após o aumento da Selic (depois de 08/12/2021): rendimento de R$ 68,00 (totalizando R$ 1.068,00 ou 6,8% ao ano) = R$ 1.068,00 em um ano.
Agora você já entendeu que com o aumento da Selic para 9,25% ao ano o rendimento da poupança passa a ser melhor, certo? Mas por que os economistas continuam dizendo que não é interessante guardar dinheiro na poupança quando comparado ao rendimento de outros investimentos? Continue lendo e vamos para a próxima fase.
Poupança e inflação
Com a inflação em alta o que acontece é uma desvalorização do dinheiro – o que significa que você não compra mais tudo que conseguia comprar com o mesmo valor há um ano, por exemplo.
A projeção do mercado para a inflação está atualmente em 10,18% para 2021. Neste cenário, a poupança continua perdendo para a inflação do período.
Na simulação de R$ 1.000 aplicados na poupança por 12 meses, descontada a inflação de 10,18%, por exemplo, esse valor seria de apenas R$ 898,20. Por isso os especialistas dizem que o dinheiro parado na poupança encolheu ao invés de render, já que mesmo aplicando um rendimento de 6,8% ao ano a inflação (10,18%) supera o rendimento.
A nova taxa básica também afeta financiamentos imobiliários e a correção do saldo do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS).
Taxa Referencial
A Taxa Referencial, também conhecida como TR, está zerada desde setembro de 2017, mas a expectativa é que também volte a subir com esse patamar atingido pela Selic.
Segundo o diretor Executivo de Estudos e Pesquisas Econômicas da Associação Nacional de Executivos (Anefac), Miguel José Ribeiro de Oliveira, a estimativa é que a TR fique em torno de 0,05%. Oliveira lembrou que quando a Selic estava em 9,25% ao ano, em julho de 2017, a TR chegou a 0,0623%. Mas só será possível conhecer a nova taxa quando o Banco Central divulgar o cálculo mensal da TR referente a dezembro.
A Taxa Referencial é usada como indexador para a correção das aplicações da caderneta de poupança, das prestações dos empréstimos do Sistema Financeiro da Habitação e do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS).
“A TR não vai subir para um patamar que inviabilize o pagamento das prestações do financiamento imobiliário porque estará em um percentual baixo”, acredita Oliveira.
Copom
Em comunicado após a reunião, o Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central informou que “o ciclo de aperto monetário [aumento da Selic]” deve avançar “significativamente em território contracionista”, ou seja, com mais altas de juros. “O Comitê irá perseverar em sua estratégia até que se consolide não apenas o processo de desinflação como também a ancoragem das expectativas em torno de suas metas [de inflação]”.
“Para a próxima reunião, o comitê antevê outro ajuste da mesma magnitude (1,5 ponto percentual)”, informou o comitê. A expetativa do mercado é que a Selic chegue a 11,25% ao ano em 2022.
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