
Thálef Santos*
thalefsantos@tvclube.com
Maria Raimunda Lima, mãe de Marina Lima Teixeira, está realizando o Projeto “Dia de Marina” para ajudar crianças carentes da comunidade Taboca do Pau Ferrado em Teresina, nesta quinta-feira (13), em homenagem à filha que faleceu por complicações da Covid após superar a leucemia.
A ação foi uma ideia da própria Marina que ajudaria outras pessoas na data em que o transplante de medula óssea a salvou da leucemia. “Marina deixou para mim essa missão de fazer o bem e o filhinho dela de 3 anos”, diz a mãe.
Há quatro meses da triste partida de Marina, Maria Raimunda, em entrevista ao Portal ClubeNews, relembra a história da filha que enfrentou duas grandes batalhas sem tempo para descansar: a leucemia e a pandemia da Covid-19. A ação solidária foi criada por mãe e filha quando Marina se recuperava do transplante. As crianças assistidas pela ação poderão receber alimentos, brinquedos e roupas.
“No dia 13 de outubro a medula pegou e foi muito choro, muita felicidade, muita gratidão a Deus e ela falou ‘mãe, no próximo ano, 13 de outubro de 2022, vai ser meu aniversário de renascimento. Esse aniversário dia 20 de agosto eu faço 26 anos e no dia 13 de outubro eu vou fazer meu renascimento porque minha medula pegou. Então vamos procurar um local carente, levar bolo, cachorro quente, presentes, vamos fazer o dia das crianças carentes’. Isso fomos organizando na nossa cabeça” conta Maria Raimunda.
Confira a imagem de divulgação do projeto e a história de Marina:

PRIMEIRO DIAGNÓSTICO
Eu sempre falei que minha filha era luz e creio que onde eu passar ela vai estar, no que eu fizer. E colocar o nome dela nessa ação, vai manter ela com a gente.
Marina foi diagnosticada em 2020. A pandemia começou em março e no mês de maio ela começou a apresentar manchas roxas.” Estava tudo fechado por causa da pandemia, mas meu cunhado recomendou ‘faz um hemograma, isso deve ser anemia’”, diz a mãe. Em julho do mesmo ano ela foi diagnosticada com Aplasia Medular Grave. A família ficou feliz porque não era leucemia, mas ela ainda precisava de um transplante.
Em agosto ela começou a fazer o tratamento com ciclosporina – um potente imunossupressor que age nas células T – “e o médico disse que assim ela ia aguentar até encontrar um doador compatível”, disse. A família realizou campanha de doação de medula durante todo o semestre de 2020. Em dezembro, Marina recebeu a notícia de que um hospital em Recife teria achado um doador compatível 90% e ficou muito feliz, mas o transplante seria feito apenas em fevereiro e foi necessário realizar todos os exames novamente.
LEUCEMIA
Então, no dia 8 de janeiro, a mãe foi buscar o resultado e entregar para o médico. “Ele disse ‘oh Maria, eu sinto muito, mas não é mais displasia medular grave, é uma leucemia. Aí nosso mundo acabou, mas ela disse ‘mãe, o que for eu vou lutar, eu vou vencer’”, lembra a mãe.
Em janeiro Marina foi internada com urgência e passou a fazer tratamento de quimioterapia. “Caiu o cabelo, caiu tudo e ela lutando muito forte. Passou o semestre de 2021, sempre nesse processo, fazia quimioterapia, passava uma semana e ia pra casa”. Por dificuldades para contatar o doador, o transplante não aconteceu em fevereiro.
“Em junho recebemos de novo a notícia de um doador, que era o mesmo; ele não tinha desistido da doação, tinha apenas mudado o número do telefone. Ele é de Nova Iorque, da mesma idade dela, 25 anos, que ela completou em agosto de 2021. Em outubro ela fez 25 anos e aí no dia 1º outubro, foi feito o transplante. Ela foi pra Recife em setembro de 2021”.
ALÍVIO E TRISTEZA
No dia 13 de outubro a medula “pegou” – quando a pessoa tem mais de 500 células de defesa – e “foi muito choro, muita felicidade, muita gratidão a Deus e ela falou ‘mãe, no próximo ano, 13 de outubro de 2022, vai ser meu aniversário de renascimento. Nesse aniversário, dia 20 de agosto, eu faço 26 anos e no dia 13 de outubro eu vou fazer meu renascimento porque minha medula pegou. Então vamos procurar um local carente, levar bolo, cachorro-quente, presentes, vamos fazer o dia das crianças carentes’. Isso fomos organizando na nossa cabeça”, conta Maria Raimunda.
Marina passou cinco meses em Recife transplantada. No fim de janeiro de 2021, recebeu alta. “Fiz camiseta com a foto dela, recebemos ela no aeroporto. Nisso ela tava com uma tosse, quinze dias antes de vir. No dia 13 de fevereiro ela começou a tossir muito”. Para tirar a dúvida, ela fez um teste de Covid e o resultado foi positivo para a infecção.
Marina ficou isolada por vinte dias e a tosse piorava, apresentando falta de ar. “Mandamos ela para UTI, passou 15 dias e piorou, conseguimos uma UTI aérea que levou ela dia 8 de março para Recife, passou 12 dias internada em estado grave, passou 27 dias internada no hospital já fora da UTI”, diz a mãe. Então ela recebeu alta do médico.
“Passamos o dia das mães juntas, mas no dia 14 de maio ela começou a piorar, teve uma alergia na pele e uma dor de estomago que não parava. Pedi o médico para internar ela, mas no dia 3 de junho minha filha faleceu”, finaliza Maria.

HOMENAGEM
Toda a história da filha terá continuidade no Projeto Dia de Marina e na memória da mãe. “Então essa corrente eu sempre vou fazer, todo ano. Está muito doido para mim porque agora que faz quatro meses que ela se foi, mas toda hora digo ‘senhor, essa corrente é ela, estou trazendo ela pra mim’”, explica Maria.
A ação será a celebração de Marina ao dia 13 de outubro, quando a medula doada “pegou”. Maria informa que no próximo ano terá mais uma edição da ação e em janeiro planeja fazer a corrente da doação de medula. “Perdemos os filhos, pais, irmãos, as pessoa que amamos porque as pessoas não doam 5ml de sangue para fazer um teste de medula. O que eu tô passando não quero que ninguém passe“.
*Sob supervisão da jornalista Carlienne Carpaso.
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