O Instituto Vamos Juntos, fundado pela vereadora Tatiana Medeiros (PSB), era utilizado para receber recursos destinados à compra de votos. Hoje acontece o quinto dia da audiência de instrução e julgamento da parlamentar e outros oito réus.
Segundo o promotor de justiça Plínio Fontes, do Ministério Público do Piauí, o namorado da vereadora, Alandilson Passos, arrecadava dinheiro de diversas pessoas com histórico policial e repassava parte para o Instituto e outra diretamente para a vereadora.
“Tatiana fazia Pix (pagamento instantâneo) para os assessores para eleitores até no dia da eleição. Os eleitores tinham que enviar foto com o comprovante de votação ou da cabine, comprovando o voto na vereadora”, comentou.
Plínio Fontes acrescentou que vai solicitar cinco dias para analisar as provas contra os réus e avaliar se será preciso provar ou esclarecer alguma denúncia.
Já o promotor Mário Normando explicou a participação de cada réu nos crimes de compra de voto, organização criminosa, corrupção eleitoral, falsidade ideológica, peculato e lavagem de dinheiro.
“Existiam três níveis dessa organização criminosa: a liderança era feito pela Tatiana Medeiros e o namorado Alandilson Passos; no segundo nível era o operacional e financeiro feito pelo padrasto Stênio, a mãe da vereadora e outras pessoas, que recebiam os recursos e repassavam para contas de eleitores; e o terceiro era o núcleo operacional, responsável por fazer o cadastro dos eleitores, transferências e confirmação de votos”.
OITIVAS
Tatiana e seu companheiro, Alandilson Cardoso Passos, vão prestar depoimento hoje. As testemunhas arroladas pelas defesas e Ministério Público já foram ouvidas.
Ao longo da semana, dezenas de testemunhas foram ouvidas pelo juízo eleitoral: 11 na segunda-feira (1º dia), 20 na terça-feira (2º dia), 22 na quarta-feira (3º dia) e 12 na quinta-feira (4º dia).
Foram ouvidos na quinta-feira (27) os réus: Stênio Ferreira Santos (padrasto), Maria Odélia de Aguiar Medeiros (mãe), Bianca dos Santos Teixeira Medeiros (irmã) e Lucas de Carvalho Dias Sena (cunhado).
DENÚNCIAS
O processo contra a vereadora Tatiana Medeiros (PSB) apura uma série de crimes graves, incluindo organização criminosa, corrupção eleitoral, falsidade ideológica, peculato e lavagem de dinheiro.
Segundo a denúncia do Ministério Público Eleitoral, as investigações apontam para práticas como compra ilícita de votos, uso de entidades assistenciais para manipulação eleitoral e movimentações financeiras suspeitas envolvendo familiares e assessores. Também há indícios de que a campanha da parlamentar foi financiada com recursos oriundos de facções criminosas.
Veja a lista dos investigados do processo:
- Bruna Raquel Lima Sousa e Sávio de Carvalho França (Funcionários da ONG Vamos Juntos): Organização criminosa e corrupção eleitoral.
- Tatiana Teixeira Medeiros (Vereadora): Organização criminosa, corrupção eleitoral, falsidade ideológica eleitoral, peculato e lavagem de dinheiro.
- Alandilson Cardoso Passos (Namorado): Organização criminosa, corrupção eleitoral, violação do sigilo do voto, agiotagem e lavagem de dinheiro.
- Stênio Ferreira Santos (Padrasto): Organização criminosa, corrupção eleitoral, violação do sigilo do voto, peculato, apropriação indébita eleitoral, agiotagem e lavagem de dinheiro.
- Maria Odélia de Aguiar Medeiros (Mãe): Organização criminosa, corrupção eleitoral, apropriação indébita eleitoral e lavagem de dinheiro.
- Emanuelly Pinho de Melo (Assessora): Organização criminosa, corrupção eleitoral e lavagem de dinheiro.
- Bianca dos Santos Teixeira Medeiros (Irmã): Organização criminosa e corrupção eleitoral.
- Lucas de Carvalho Dias Sena (Cunhado): Organização criminosa e corrupção eleitoral.
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