O Parque Nacional Serra da Capivara, localizado em Coronel José Dias, no Sul do Piauí, foi o cenário escolhido por Silvino Paes, de 19 anos, para pedir Byanca Oliveira, de 23 anos, em namoro. Um vídeo registrou o momento em que Silvino surpreendeu a jovem durante uma visita às estruturas arqueológicas do local no último dia 22.
O pedido ocorreu em frente à pintura rupestre conhecida como “O primeiro beijo”, considerada a mais antiga representação de um beijo no mundo, datada em 12 mil anos. Com um buquê de flores e uma caixa com um par de alianças, Silvino se ajoelhou e fez a proposta. Visivelmente emocionada, Byanca aceitou.
O casal reside em São Raimundo Nonato, município vizinho ao parque. A ocasião, cuidadosamente planejada pelo jovem, surpreendeu até mesmo o guia turístico que acompanhava o grupo. “Nosso guia disse que nunca tinha visto um pedido naquele local. Então, realmente foi algo diferente”, contou Silvino, que já havia visitado o local outras vezes.
Arte rupestre de 12 mil anos
A pintura do beijo, segundo pesquisas, foi feita há 12 mil anos na região que hoje corresponde ao Parque Nacional Serra da Capivara, utilizando pigmentos naturais como óxidos de ferro e carvão. A durabilidade da arte se deve ao clima seco e às características das rochas areníticas.
Byanca relatou que a experiência foi inesquecível: “Fiquei realmente feliz, foi além de um pedido de namoro. Ele pensou em cada detalhe e isso deixou tudo mais especial. Eu sinto que Deus preparou cada detalhe daquele instante e viver isso foi maravilhoso”, declarou.
A doutora em arqueologia e conselheira científica da Fundação Museu do Homem Americano, Maria Conceição Lage, confirmou que as características da pintura indicam, de fato, um beijo. “Há indícios de que seja, de fato, um beijo. A gente faz uma interpretação descritiva, são duas figuras iguais que estão se tocando pela face. Então, de fato, parece, sim, se tratar de um beijo. Se a gente traz para os nossos dias atuais, a gente caracteriza dessa forma”, explicou.
O arqueólogo Igor Linhares reforçou a importância da descoberta: “Anterior a isso, a gente não tem nenhuma representação. Vamos ter algumas com nove mil anos na Índia, outras de 1.500 anos atrás, algumas representações escritas, por exemplo, em caverna. Mas a mais antiga de fato, do ponto de vista científico, de registro, de análise, é essa da Serra da Capivara. Então passa a ser essa a referência”, concluiu.
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