
No meio da confusão dos termos rinite e sinusite (ou melhor, rinossinusite), hoje me dedicarei a falar especialmente da primeira. Rinite é a inflamação da mucosa do nariz causando sintomas como espirros, coriza, obstrução nasal e coceira. Como eu disse, inflamação no nariz, não afetando os seios paranasais (neste caso seria sinusite, tema para explicações futuras). Às vezes, no imaginário popular, aqueles sintomas são automaticamente relacionados à alergia, porém nem toda rinite é alérgica.
Explicando bem superficialmente, para uma reação do corpo ser considerada alérgica, ela precisa ser consequência de processos muito específicos do sistema imunológico. Se não há essa ativação específica do sistema imune causando aqueles sintomas, não consideramos como reação alérgica. Por exemplo, várias pessoas sentem espirro, coriza e obstrução nasal logo após entrar em contato à fumaça de cigarro. “Ora, se eu apresentei sintoma de rinite logo após entrar em contato com a fumaça de cigarro, é claro que tenho alergia (logo rinite alérgica) a ela”. Correto? Não! A fumaça, bem como alguns cheiros fortes (perfumes, produtos de limpeza), pó de giz ou de serragem, não é capaz de produzir esta ativação do sistema imunológico. Sendo assim, nestes casos, estamos diante de uma rinite irritativa não-alérgica.
Algumas fases da vida em particular podem também apresentar rinites não-alérgicas, como por exemplo a gestação e a senilidade. Na gestação, os sintomas nasais decorrem de alterações hormonais típicas desse período determinando o que chamamos de rinite gestacional. Já na terceira idade, esses sintomas (rinite do idoso) se originam do mal funcionamento dos nervos que regulam o nariz, como também é observado na rinite gustativa. Nesta última, os sintomas surgem durante as refeições principalmente com alimentos quentes ou mais condimentados.
No grupo das rinites não-alérgicas, também há uma grande prevalência de rinites causadas pelo uso de medicamentos (rinite medicamentosa), sendo os principais vilões os descongestionantes nasais tópicos (por exemplo, Naridrin® e Neosoro©). Estas medicações, quando usadas por período maior que o recomendado, causam piora progressiva da congestão nasal, além do potencial risco de desencadear alterações cardiovasculares. Vale ressaltar que a rinite medicamentosa também pode estar presente durante o uso de outras classes de medicamentos, como alguns anti-hipertensivos, anti-inflamatórios, medicações psiquiátricas e drogas para tratar disfunção erétil.
Ao voltar à confusão dos termos citada no início, a maioria dos pacientes que chega falando que “tem sinusite” na realidade tem apenas crises de rinite, podendo ser alérgica ou não. Nosso trabalho de informar o uso correto dos termos precisa se estender inclusive para outros colegas médicos que, não raramente, usam erroneamente o termo “rinossinuste alérgica” para se referir à rinite alérgica e cria essa confusão diagnóstica referida por maioria da população. De toda forma, é essencial procurar avaliação especializada de qualidade para melhores diagnóstico e cuidados tanto para prevenção quanto para tratamento dos sintomas. E a sua rinite é alérgica ou não-alérgica?
Máriton Borges – Otorrinolaringologista com subespecialidade em otoneurologia
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