
Em abril de 1987, foi publicada a 1ª edição de Cadernos de Teresina, a “Revista informativa da Fundação Cultural Monsenhor Chaves”. Ao longo de 30 anos, entre 1987 e 2017, foram publicadas 42 edições deste periódico, que tornou-se um dos principais instrumentos de divulgação da produção cultural teresinense.
A história desta revista começou dois anos antes, com a eleição de Raimundo Wall Ferraz para a prefeitura de Teresina. Na apresentação da 1ª edição dos Cadernos de Teresina, a presidente da FMC, Eugênia Maria Parentes Fortes Ferraz, pontuou que “este número inaugural coincide também com o nosso primeiro aniversário de atividade; a Fundação Cultural Monsenhor Chaves foi criada pela administração municipal eleita em 1985, em eleições populares e livres, depois de vinte anos de jejum democrático”. A presidente acrescentou que “Esta mesma população que foi às urnas – através de seus poetas, artistas e intelectuais – reivindicou a criação de uma fundação municipal de cultura”. Nesta perspectiva, o surgimento da FMC aparece nas palavras de Eugênia Ferraz como desdobramento do processo de redemocratização que o país passava, representando um sopro de vitalidade cultural após o longo inverno ditatorial.
Em entrevista concedida ao Jornal da Manhã e reproduzida na 1ª edição dos Cadernos de Teresina, o professor Noé Mendes, então superintendente da FMC, disse que as primeiras reuniões do novo órgão foram marcadas pela participação maciça da inteligência piauiense que contribuiu amplamente na formulação inicial de seus objetivos. O superintendente também ressaltou a justeza do nome escolhido para nomear a instituição, uma vez que o Monsenhor Chaves foi o primeiro a se interessar pela história de Teresina, registrando-a em vários livros. Coube a Noé Mendes sugerir o título da publicação, Cadernos de Teresina.
O número inaugural da revista trouxe uma edição comemorativa sobre a “Semana Mário Faustino”, ocorrida entre 4 e 11 de novembro de 1986. Além da homenagem ao poeta piauiense, esta edição também contou com um caderno especial contendo um levantamento de tudo que foi possível registrar no campo da arte e da cultura no ano anterior, a exemplo da “Semana Brecht”, que aconteceu entre 8 e 15 de dezembro de 1986, sob a coordenação de Durvalino Couto Filho e Arimatan Martins. Durvalino Couto, aliás, foi o primeiro editor geral da revista em apreço, cuja equipe inicial contou com a participação de Antonio Lucas, Liz Medeiros e Moacir M. Farias, além dos registros fotográficos de Aureliano Müller e Paulo Gutemberg. A revista passou a circular quadrimestralmente, sendo impressa na Gráfica e Editora Júnior.
Publicada em agosto de 1987, a 2ª edição dos Cadernos de Teresina homenageou os 135 anos de Teresina, trazendo em suas páginas um levantamento realizado pelo pesquisador José Airton Gonçalves Gomes sobre as fontes documentais relativas a Barra do Poti, Vila do Poti, Vila Nova do Poti e Teresina provincial, que estavam disponíveis no Arquivo Público do Piauí. A referida edição também publicou a transcrição que o historiador Braz de Sousa Carvalho fez do ofício em que o Presidente da Província do Piauí, José Antonio Saraiva, comunicava ao Secretário de Estado dos Negócios do Império, em 15 de agosto de 1852, sua chegada à Teresina.
Além de publicar poemas, contos, ensaios e crônicas, os Cadernos de Teresina sempre estiveram abertos à produção historiográfica piauiense. Na edição nº 6, de dezembro de 1988, quando o Brasil rememorava o centenário da abolição, a revista publicou o texto “Fontes sobre a escravidão no Piauí”, da historiadora Teresinha Queiroz e do historiador Alcebiades Costa Filho. Nesta mesma edição, apareceu o artigo “A Aliança Nacional Libertadora no Piauí”, do historiador Francisco Alcides do Nascimento, minha porta de entrada para o periódico, e o belíssimo texto “Teresina… rabiscos histórico-sentimentais”, escrito pela historiadora Miridan Britto Knox.
A edição dos Cadernos de Teresina nº 18, de dezembro de 1994, também destacou-se por trazer em suas páginas a produção da historiografia local, publicando artigos da historiadora Teresinha Queiroz, sobre a literatura piauiense; do historiador Pedro Vilarinho, sobre a Teresina do início do século XX; do historiador Antonio Fonseca Neto, sobre o movimento estudantil piauiense na década de 1970; da historiadora Miridan Britto Knox, sobre Simplício Dias da Silva; além do ensaio “Deslumbramento e Cálculo”, do historiador João Kennedy Eugênio. Tenho especial predileção por esta edição por ser a única que possuo no formato físico. Com exceção de Miridan, todos foram meus professores na Universidade Federal do Piauí.
Até pouco tempo, os Cadernos de Teresina eram encontrados apenas em bibliotecas públicas e acervos particulares. Todavia, neste ano a FMC iniciou a digitalização de todo o acervo da revista, processo que está em desenvolvimento. A disponibilização dos exemplares digitalizados facilitará sobremaneira o acesso dos pesquisadores a este riquíssimo acervo sobre a cultura e a história de Teresina e do Piauí.
Prometo retornar ao tema, explorando outras publicações que marcaram época no Piauí, a exemplo das Revista Presença.
Por Ramsés Pinheiro
FONTES:
FMC. Cadernos de Teresina. Teresina, nº 1, abr. 1987.
______. Cadernos de Teresina. Teresina, nº 2, ago. 1987.
______. Cadernos de Teresina. Teresina, nº 6, dez. 1988.
______. Cadernos de Teresina. Teresina, nº 18, dez. 1994.
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