Laudos médicos emitidos por meio da telemedicina apresentou erros no diagnóstico de pacientes no Instituto de Doenças Tropicais Natan Portella. A denúncia foi feita por especialistas da unidade e pelo Sindicato dos Médicos, que apresentou reclamação ao Ministério Público do Estado do Piauí (MPPI).
Telemedicina é o exercício da medicina mediado por tecnologias (computadores, smartphones) para assistência, prevenção de doenças, diagnósticos e monitoramento à distância. Regulamentada no Brasil pelo CFM, permite teleconsultas, telediagnóstico e acompanhamento de pacientes sem necessidade de deslocamento, ampliando o acesso a especialistas.
Um dos laudos considerados incorretos foi emitido por meio da telerradiologia, ferramenta que permite que exames de imagem realizados em um hospital sejam analisados à distância por um médico em outro local.
Segundo a responsável técnica do setor de imagens do Instituto de Doenças Tropicais Natan Portella, Eliane Mendes, erros como esses estariam se tornando recorrentes na unidade.
“A gente tem tido alguns casos equivocados aqui na teleimagem. A gente não tem mais acesso aos exames, eles são feitos e enviados para a telerradiologia. Inacreditavelmente, em alguns exames que passam pela gente, estamos detectando erros graves. Principalmente em pacientes com neoplasias com laudo normal. Isso atrasa o diagnóstico, o paciente pode evoluir. E outros casos, como laudo do sexo feminino vir com próstata. São vários equívocos”, disse.
O presidente do Sindicato dos Médicos do Piauí (Simepi), Samuel Rêgo, aponta que, além dos possíveis erros nos laudos, há desvio de função de médicos concursados do Natan Portella, unidade gerida pela Secretaria de Saúde do Estado do Piauí (Sesapi).
Caso investigado pelo Ministério Público
Segundo o sindicato, o MPPI preparou um inquérito para investigar as denúncias, com o objetivo de tentar uma conciliação administrativa. Caso não aconteça nenhum acordo, o caso pode parar na Justiça.
“Em setembro do ano passado, a gente recebeu essa denúncia dos médicos radiologistas do Natan Portella, informando que uma empresa de telemedicina passaria a fazer os laudos. Com isso, eles foram desviados da sua função para realizar ultrassonografia, sendo que o edital do concurso é para radiologia, o que configura assédio moral. A situação já foi enviada ao Ministério Público”, disse.
No dia 4 de dezembro de 2025, o Ministério Público do Piauí (MPPI) enviou ao Conselho Federal de Medicina (CFM) uma solicitação de esclarecimento sobre a aplicação da norma que define e regulamenta a telerradiologia no hospital.
No dia 18 de dezembro, o Conselho Federal de Medicina respondeu, por meio de ofício, que a telerradiologia deve ser utilizada como ferramenta de suporte para locais com carência de médicos ou em situações de demanda reprimida. O órgão destacou que o uso da ferramenta para substituir profissionais pode gerar impacto negativo no atendimento ao paciente.
O ofício afirma ainda que o médico que emite o laudo à distância deve manter contato com o médico assistente para esclarecer dúvidas. Na última semana, o Conselho Regional de Medicina do Piauí (CRM-PI) destacou que a telerradiologia deve ser uma medida excepcional e anunciou que vai aprofundar as fiscalizações e a apuração das denúncias.
Caso na Fundação Municipal de Saúde
O presidente do Conselho Regional de Medicina do Piauí (CRM-PI), João Moura, destacou outra denúncia envolvendo a Fundação Municipal de Saúde (FMS).
“A fundação terceirizou a radiologia, independentemente dos médicos radiologistas contratados. Ela contratou a empresa Telessaúde. Se a fundação tem médicos presenciais, o que se questiona é a necessidade de se fazer essa terceirização”, disse.
No dia 19, a Fundação Municipal de Saúde (FMS) enviou um ofício aos médicos radiologistas lotados no Hospital Lineu Araújo, comunicando um processo de remanejamento em razão de mudanças estruturais.
O Sindicato dos Médicos do Piauí (Simepi) enviou ofício à Fundação Municipal de Saúde (FMS) questionando a justificativa para o remanejamento e afirmando que o documento não explica, de forma objetiva, o que embasou a decisão. O sindicato questiona ainda como ficará a emissão de laudos radiológicos realizados no hospital.
Outro lado
A fundação informou, por meio de nota, que antes da utilização dessa tecnologia os pacientes chegavam a aguardar quase três meses pelo resultado do exame no Centro Lineu Araújo, por conta da alta demanda. Com a utilização da tecnologia, os laudos passaram a ser disponibilizados em até 24 horas.
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