Um tronco de árvore petrificada, datado com cerca de 280 milhões de anos, foi registrado em uma área de mata no município de Altos, no Piauí. O registro foi divulgado pelo paleontólogo Juan Cisneros em suas redes sociais, no último domingo (1).
Segundo o professor de Paleontologia da Universidade Federal do Piauí (UFPI), o tronco petrificado mostrado no vídeo pertence a gimnospermas, um grupo de plantas que inclui pinheiros e araucárias.
Ainda de acordo com o pesquisador, há mais de 70 árvores petrificadas no local, muitas com mais de dois metros de altura. Atualmente, espécies semelhantes só existem no sul do Brasil e em países como Chile e Argentina.
A Universidade Federal do Piauí (UFPI) realizou o primeiro estudo no sítio paleontológico no início da década de 2010. Para o professor, a descoberta desses fósseis ajuda a contar a história do planeta ao longo de milhões de anos e das eras geológicas.
“Fosseis como esse são importantes porque ajudam a reconstruir páginas da história do nosso planeta, de como a vegetação foi mudada, como os continentes e o clima mudaram ao logos das eras geológicas. É um patrimônio de valor inestimado”, disse.
Alerta
Juan Cisneros alertou para a intervenção humana no local, que pode gerar riscos à área de preservação. O sítio está dentro de uma área protegida de um ex-assentamento do Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (INCRA), mas algumas famílias fazem uso irregular da região.
“Nessa área existem ocupações irregulares por parte de alguns membros de um ex- assentamento, que usam para as roças deles dentro da área de preservação. Tem criação de porcos estão comendo os brotos de buriti, isso faz com que os buritis não se renovem e sem a sombra dos buritis a nascente que tem lá vai secar e tudo isso vai colocar em risco os troncos petrificados porque a cobertura vegetal da região serve de proteção e sem ela a gente vai ter erosão”, disse.
Descoberta em Miguel Alves
O pesquisador também divulgou que troncos petrificados, datados da mesma época do tronco localizado em Altos, foram identificados no município de Miguel Alves, interior do Piauí. Moradores da zona rural encontraram os troncos e informaram o caso ao poder público local.
Diante da descoberta, a prefeitura solicitou à Universidade Federal do Piauí (UFPI) a presença de um especialista para verificar o material. O material foi analisado pelo professor de paleontologia Juan Cisneros, da UFPI.
De acordo com o professor, os fósseis pertencem ao Período Permiano da Era Paleozoica e têm aproximadamente 280 milhões de anos, o que significa que são mais antigos que os dinossauros. Durante a análise inicial, ele identificou ao menos dez troncos no local.
Todos os exemplares pertencem ao grupo das gimnospermas, plantas aparentadas aos pinheiros e às araucárias atuais, muito diferentes da vegetação que hoje predomina no Piauí.
Segundo Cisneros, alguns dos troncos aparentam estar em posição de vida, ou seja, na vertical, um tipo de registro considerado raro no mundo e já observado na Floresta Fóssil de Teresina.
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