Aos 20 anos, Bianca Victoria Ribeiro da Silva vive um momento que ela e a família aguardavam há anos: voltar a ouvir. A jovem passou por uma cirurgia de implante coclear em dezembro e se emocionou ao escutar novamente a voz humana após perder quase totalmente a audição ainda na infância.
Bianca nasceu com perda auditiva degenerativa, mas o diagnóstico só veio quando ela tinha três anos, devido à dificuldade de acesso da família aos serviços públicos de saúde. A partir daí, passou a usar aparelho auditivo, o que postergou o agravamento do quadro, mas não impediu que, ao longo dos anos, a audição se deteriorasse.
Segundo a mãe, Tânia Maria, que é enfermeira, a evolução da perda era esperada.
“Por ser degenerativa, sabíamos que ela acabaria perdendo completamente a audição. A perda dela já era superior a 90%. Em dezembro de 2025, ela fez a cirurgia de um ouvido; no outro, ainda tem cerca de 80% de perda e deve operar em breve”, conta.
A familiaridade com os aparelhos auditivos ajudou Bianca a se adaptar rapidamente ao implante. Ela agora segue em acompanhamento fonoaudiólogo, em um processo gradual de reabilitação.
“A expectativa é ir aumentando o volume aos poucos, até que ela consiga ouvir cada vez melhor”, explicou a mãe.
Ao longo da infância e adolescência, a deficiência auditiva trouxe desafios. Bianca enfrentou dificuldades na escola, especialmente na fala, leitura e na dicção, e por isso se dedicou intensamente ao aprendizado da Língua Brasileira de Sinais (Libras). Agora, após a cirurgia, volta seus esforços para a oralização.
Primeiro passo para reabilitação
O procedimento foi realizado pelo médico otorrinolaringologista Flávio Santos Filho. Ele reforçou que o implante coclear marca o início, e não o fim, da reabilitação auditiva.
“A cirurgia coloca um dispositivo eletrônico dentro do ouvido, com eletrodos dentro da cóclea, que é o órgão responsável pela audição. Esses eletrodos estimulam o nervo auditivo, enviando para o cérebro a mensagem sonora, que será interpretada como som”, explicou o médico.
Segundo ele, o implante é indicado quando o aparelho auditivo convencional não oferece mais benefício.
“No caso da Bianca, ela já tinha uma perda profunda e não conseguia mais ouvir o suficiente com o aparelho comum.”
Flávio também destacou que não existe limite de idade para o implante e que quanto antes o diagnóstico e o procedimento forem feitos, melhores são os resultados. No caso de Bianca, a demora no diagnóstico e no tratamento influenciou a fala.

O vídeo da ativação do implante, momento em que o dispositivo é ligado pela primeira vez, cerca de um mês após a cirurgia, no dia 22 de janeiro, mostra a emoção de Bianca ao ouvir os primeiros sons novamente.
“Ali é só o começo. Agora ela precisa do uso contínuo do implante e de muita fonoterapia. É um processo longo, mas que traz resultados significativos”, afirmou o médico.
O médico destacou ainda que a tecnologia mudou o destino de milhares de pessoas com perda profunda.
“O implante coclear revolucionou a medicina. Antigamente, quem não ouvia e não conseguia desenvolver fala ficava à margem da sociedade. Hoje, com diagnóstico precoce e reabilitação, esses pacientes podem estudar, trabalhar, conversar, ouvir música e ter uma vida praticamente normal“, disse.
O processo de reabilitação segue, e a jovem deve realizar a cirurgia do segundo ouvido em breve. O objetivo, segundo a equipe médica, é que Bianca recupere cada vez mais a audição e a fala, conquistando autonomia e qualidade de vida.
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