
Há algo curioso na forma como falamos sobre o corpo masculino.
Durante muito tempo, a pressão estética parecia concentrar-se quase exclusivamente sobre a mulher. Mas isso mudou. O homem contemporâneo também passou a ser convocado a performar, não apenas profissionalmente, mas fisicamente e sexualmente.
A masculinidade deixou de ser apenas uma construção cultural abstrata. Ela ganhou métricas. Desempenho. Potência. Resistência. Tamanho.
O problema é que, quando o corpo vira parâmetro de validação, ele deixa de ser apenas biologia e passa a carregar simbolismos. E nenhum órgão simboliza tanto quanto o pênis.
Na prática clínica, a maioria dos homens que procuram aumento peniano apresenta medidas absolutamente dentro da normalidade anatômica. O desconforto não está no exame físico. Está na comparação. Na dúvida silenciosa. Na ideia, muitas vezes infundada, de que “poderia ser maior”.
E aqui começa a parte que raramente é discutida.
O que leva um homem a desejar aumentar a circunferência peniana?
É uma escolha livre?
Ou é uma resposta a um padrão invisível que foi aprendido ao longo dos anos?
Vivemos uma era em que imagens são editadas, narrativas são exageradas e referências são distorcidas. A internet criou uma régua ilusória de normalidade. E muitos homens medem a si mesmos com base nela.
O crescimento da procura e a responsabilidade médica
No capítulo que escrevi para o Tratado de Urologia da Sociedade Brasileira de Urologia -Seccional São Paulo, publicado pela Editora DILIVROS, discutimos dados que revelam um fenômeno interessante. Mesmo entre homens que se consideram “dentro da média”, quase metade gostaria de ter um pênis maior. Entre aqueles que o percebem como pequeno, o desejo ultrapassa 90%.
Isso revela algo maior do que anatomia. Revela percepção. A medicina não pode ignorar essa demanda. Mas também não pode tratá-la de forma banal.
O preenchimento peniano é um procedimento real, descrito na literatura médica, com ganhos médios de circunferência que variam conforme o material utilizado. Entre os preenchedores disponíveis, o ácido hialurônico apresenta o melhor perfil de segurança atual, por ser reabsorvível, biocompatível e reversível. Mas isso não o torna trivial.
Não é um procedimento cosmético simples. É uma intervenção médica.
Complicações existem. Infecção, nódulos, assimetrias e, em materiais inadequados como o PMMA (polimetilmetacrilato), deformidades permanentes, razão pela qual seu uso foi recentemente condenado pelas autoridades médicas.
Quando falamos de preenchimento peniano, falamos de um órgão altamente vascularizado e funcional. A banalização é perigosa.
O que diferencia uma decisão madura de uma decisão impulsiva?
Existe uma pergunta que sempre faço antes de discutir técnica:
“O que você espera mudar na sua vida com esse procedimento?”
Se a resposta for exclusivamente comparativa, “quero ficar igual ao que vejo”, é preciso cautela.
Se a resposta envolve desconforto persistente, impacto real na autoestima e expectativa realista, a conversa é diferente.
Procedimentos estéticos penianos ainda carecem de ensaios clínicos robustos e padronização universal de desfechos. Isso exige responsabilidade redobrada.
Por que deve ser feito com urologista?
Porque o pênis não é apenas forma.
É função. O urologista compreende a anatomia, a vascularização, os planos corretos de aplicação e, principalmente, sabe manejar complicações. E talvez mais importante: sabe contraindicar quando necessário.
Sou certificado na técnica Urofill, autor do capítulo sobre estética genital masculina no Tratado de Urologia da Sociedade Brasileira de Urologia Seccional São Paulo e tenho centenas de pacientes tratados, mas a experiência mais valiosa não é a aplicação. É a seleção.
Em medicina, saber dizer “não” é parte da excelência.
No fim, o que está realmente em jogo?
Não é apenas circunferência.
É identidade.
É pertencimento.
É a tentativa de corresponder a um ideal.
A pergunta central não é “quanto aumenta?”.
É: “o que isso representa para você?”
Quando a decisão é consciente, informada e tecnicamente bem indicada, o preenchimento pode ser realizado com segurança.
Entretanto, quando a motivação nasce do medo de não ser suficiente, talvez o procedimento mais transformador não seja volumétrico.
Seja reflexivo.
A medicina de alto nível não vende promessas.
Entrega clareza. Parte superior do formulário.
Giuliano Aita
Mestre e Doutor em Urologia
Autor do capítulo “Estética Genital Masculina” do Tratado de Urologia da Sociedade Brasileira de Urologia – Editora DILIVROS
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