
O Hospital Areolino de Abreu, em Teresina (PI), enfrenta déficit de profissionais de saúde e precisa contratar ao menos 145 trabalhadores para garantir atendimento adequado a pacientes psiquiátricos, segundo apontaram entidades da área.
A situação foi discutida na manhã desta sexta-feira (20), durante reunião no Ministério Público do Piauí (MP-PI), com a participação do Conselho Regional de Medicina (CRM-PI), do Conselho Regional de Enfermagem (Coren-PI) e da Secretaria de Estado da Saúde (Sesapi), responsável pela administração da unidade.
De acordo com a Sesapi, o hospital possui atualmente cerca de 430 servidores. Mesmo assim, representantes das categorias afirmam que o número é insuficiente para a demanda.
O debate foi motivado após uma vistoria realizada pelo CRM no dia 26 de fevereiro, quando foram identificados problemas como falta de segurança e estrutura considerada precária. A inspeção ocorreu na mesma data em que um paciente foi morto dentro da unidade.
Segundo o presidente do CRM-PI, José Moura Fé, também foram reivindicadas a retomada das obras e o refoço na segurança das equipes que atuam no local.
“Nós exigimos que fossem retomadas as obras, que aumentassem a segurança dos pacientes e garantissem uma condição mínima, digna, a todos os pacientes e profissionais de saúde que ali trabalham”,
Apesar das críticas, os conselhos destacaram avanços na reforma estrutural do hospital, que tem previsão de conclusão até o fim deste ano. Ainda assim, reforçaram a necessidade urgente de reforço no quadro de profissionais. Hoje, por exemplo, o hospital conta com apenas 15 médicos.
Segundo as entidades, seriam necessários, no mínimo:
- 2 médicos;
- 65 enfermeiros;
- 40 técnicos de enfermagem;
- 38 auxiliares de serviços gerais.
A Sesapi solicitou prazo de uma semana para apresentar ao MP-PI um estudo técnico sobre as demandas apresentadas.
Morte de paciente
O caso que motivou a fiscalização ocorreu em 26 de fevereiro, quando o paciente Pedro Araújo da Silva, de 29 anos, foi encontrado morto dentro do hospital. Ele estava internado havia cerca de um mês e receberia alta nos dias seguintes, conforme a direção da unidade.

De acordo com a Polícia Civil, o paciente foi amarrado, sufocado com um saco plástico e teve o corpo queimado.
Dois internos, de 20 e 24 anos, confessaram o crime e foram autuados por homicídio qualificado. Eles seguem presos preventivamente.
Durante a vistoria realizada no dia do crime, o CRM apontou que o hospital não conta com segurança armada, operando apenas com vigilância patrimonial e agentes auxiliares. Para a entidade, o modelo atual é insuficiente diante da complexidade dos atendimentos realizados no local.
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