20 de março de 2026

Polícia apura possível erro médico após cirurgia em maternidade de Teresina; bebê teve perna necrosada

A assessoria jurídica da maternidade afirmou que o bebê nasceu prematuro e que a morte não foi ocasionada pelo ferimento na perna.

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A família relata que o bebê sofreu ferimentos graves após a inserção de um acesso central.

A Polícia Civil do Piauí, por meio da Delegacia de Proteção à Criança e ao Adolescente (DPCA), apura um possível erro médico que teria ocasionado lesões graves em um recém-nascido após um procedimento cirúrgico na Maternidade Santa Fé, em Teresina.

O bebê morreu na quarta-feira (18) e as causas da morte, de acordo com o Instituto Médico Legal (IML), ainda serão esclarecidas. A maternidade emitiu declaração de óbito apontando infecção generalizada como causa.

A assessoria jurídica do hospital afirma que o bebê nasceu prematuro e com problemas congênitos renais e que foi feito o possível para salvar a vida dele. “A maternidade Santa Fé preza em primeiro lugar pela vida e saúde de todos os pacientes, tendo passado recentemente por uma reestruturação em todos os setores. Todo prontuário desde o nascimento até o óbito foi repassado à Delegada da DPCA”, se posicionou.

O Portal ClubeNews apurou que foi instaurado um procedimento para investigar o caso como lesão corporal. Imagens encaminhadas à mãe do bebê mostram a perna da criança com graves lesões após uma cirurgia para instalação de acesso central.

O bebê nasceu no dia 4 de fevereiro e passou pelo procedimento cirúrgico no dia 21 do mesmo mês. Segundo a família, o cirurgião informou que a cirurgia havia sido um sucesso, sem relatar possíveis lesões.
A família afirmou que só foi informada sobre a lesão grave no dia 5 de março. Dias depois, a polícia foi acionada e um boletim de ocorrência foi registrado para apurar o caso.

De acordo com a denúncia protocolada pela mãe, o bebê teria apresentado intercorrências durante o procedimento, incluindo uma parada cardíaca. Após a cirurgia, ele retornou à Unidade de Terapia Intensiva (UTI) Neonatal, onde foram identificadas necroses e sinais de queimaduras graves nos membros inferiores, na região glútea, além de ferimentos nos braços.

A principal linha de investigação, segundo o advogado da família, Cosme Gonçalves, é o uso de adrenalina. A perícia deve analisar se houve administração inadequada da substância, o que pode ter contribuído para um quadro de isquemia, caracterizado pela redução ou interrupção do fluxo sanguíneo para tecidos ou órgãos.

Também serão investigados o uso de manta térmica e a possível omissão de documentos, como folhas de evolução médica que deveriam ter sido repassadas à família, mas não foram entregues, mesmo após decisão judicial.

A autoridade policial requisitou o prontuário completo e deve ouvir os profissionais de saúde envolvidos, incluindo equipe de enfermagem e médicos cirurgiões. Após retornar à UTI, o paciente fez uso contínuo de drogas vasoativas e era acompanhado por cirurgião vascular diante da possibilidade de amputação dos membros inferiores.

O bebê morreu ainda na maternidade enquanto aguardava transferência para outra unidade de terapia intensiva. Segundo o relato, os pais haviam decidido retirar a criança da unidade devido à perda de confiança após a identificação das lesões.

A mãe alega que não houve nenhuma assistência psicológica durante o período que o bebê ficou internado. Apenas após o óbito a maternidade acompanhou o caso e a remoção do corpo do bebê pelo IML.


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