25 de março de 2026

“Grupo atuava como braço financeiro do PCC”, diz Gaeco ao detalhar denúncia contra postos do Piauí

Promotores detalham atuação de organização criminosa com ramificação nacional que operava postos das redes HD e Diamante no Piauí

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Operação Carbono Oculto 86. (Foto: SSP-PI/Divulgação)

O Ministério Público do Estado do Piauí (MPPI) ofereceu denúncia contra 12 investigados pela Operação Carbono Oculto 86, que apura um esquema de adulteração de combustíveis, fraudes contra consumidores, falsidade ideológica e lavagem de dinheiro envolvendo as redes de postos HD e Diamante.

A denúncia foi apresentada pelo Gaeco e pela 6ª Promotoria de Justiça de Teresina, marcando o encerramento da fase de investigação e o início da etapa judicial do processo.

Segundo o MPPI, o grupo denunciado integra o braço financeiro e operacional do PCC, organização criminosa com atuação nacional e originalmente investigada em São Paulo. As fraudes no Piauí ocorreram entre 2016 e 2025, sendo alvo de autuações sucessivas de órgãos como IMEPI/Inmetro, ANP e Procon/MPPI.

A promotora Lenara Porto, coordenadora do Gaeco, explicou que os investigados mantinham atividades ilícitas no estado há anos.

“A investigação apontou que o grupo do Piauí integra o braço financeiro e operacional de uma organização criminosa com atuação em São Paulo. Essa estrutura mantinha atividades no estado, com impacto direto aos consumidores e ao mercado local”, conta a coordenadora.

Segundo ela, a denúncia abrange crimes cometidos especificamente no território piauiense, incluindo adulteração de combustíveis, lavagem de capitais, falsidade ideológica e crimes contra a ordem econômica.

Rede de postos HD é interditada. (Foto: Marcos Teixeira)

O promotor William Luz destacou que o MP identificou quatro núcleos que operavam dentro do esquema criminoso. Entre eles, um núcleo originário em postos do Piauí e outro paulista, conectados por transferências financeiras suspeitas, principalmente via fintechs como o BK Bank.

“Identificamos operações financeiras rastreadas e vinculadas a uma organização criminosa que atua nacionalmente”, destacou o promotor.

Ele também apontou a existência de núcleos familiares no Piauí utilizados para movimentar valores de maneira simulada, dificultando o rastreamento dos recursos desviados.

O promotor Hérson Galvão detalhou que a denúncia reúne provas de fraudes constatadas ao longo de 10 anos, incluindo:

  • adulteração na quantidade (bomba baixa);
  • adulteração na qualidade dos combustíveis;
  • manipulação do sistema de medição;
  • rompimento de lacres;
  • reincidência massiva entre 2021 e 2024 — mais de 70% das autuações do IMEPI nesse período ocorreram em postos investigados.

“As fraudes de natureza qualitativa e quantitativa estavam evidentes. Consumidores já percebiam irregularidades e chegaram a registrar boletins de ocorrência relatando prejuízos”, pontua Hérson Galvão.

Segundo o promotor, tanto o Procon quanto a ANP emitiram autos de infração entre 2021 e 2025 confirmando irregularidades sistemáticas.

Posto interditado. (Foto: Ascom Imepi)

POSTOS PERMANECEM FECHADOS

A promotora Nayana Paz destacou que o MPPI atuou junto ao Tribunal de Justiça e conseguiu manter a interdição dos postos investigados, além do bloqueio dos ativos financeiros dos denunciados.

“Obtivemos decisão que determinou a manutenção da interdição dos postos e o bloqueio de bens dos envolvidos, para impedir a continuidade das atividades ilícitas”, disse.

Ela também ressaltou que o MPPI requereu o levantamento integral do sigilo do caso, para que a sociedade tenha acesso às informações. “É importante para a transparência. Assim que o sigilo for retirado, prestaremos esclarecimentos detalhados.”

Na denúncia, o Ministério Público solicitou:

  • condenação criminal dos 12 investigados;
  • pagamento de R$ 74,2 milhões em indenização por dano moral coletivo

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