
Um piauiense que mora em Belo Horizonte (MG) relatou ter estado a cerca de 100 metros do local onde um avião caiu na tarde dessa segunda-feira (4). O analista de dados Ciro Monteiro contou que ouviu o barulho da aeronave logo após a decolagem e desconfiou que algo estava errado, antes mesmo de confirmar o acidente pelas notícias.
O avião monomotor decolou do Aeroporto da Pampulha, às 12h16, com destino ao Aeroporto Campo de Marte, em São Paulo. Pouco depois da decolagem, o piloto declarou emergência à torre de controle, relatando dificuldades para manter a subida. A aeronave acabou atingindo um prédio na Rua Ilacir Pereira Lima, no bairro Silveira e caiu em um estacionamento. Nenhuma pessoa que estava no edifício foi atingida.
Segundo Ciro, no momento da queda ele estava em casa com a companheira e a filha de dois anos, que estava doente.
“Ouvi um barulho alto e falei: ‘acho que um avião caiu’. Ele passou muito próximo do prédio e depois veio um estampido, mas parecia distante. Fiquei na dúvida se tinha acontecido alguma coisa grave”, relatou.
A confirmação só veio quando ele percebeu a movimentação aérea sobre o bairro. “Começou a rodar um helicóptero a baixa altura, fazendo círculos, bem perto daqui. Eu entendi que algo sério tinha acontecido. Quando fui ver as notícias, o avião tinha caído a uns 100 metros da minha casa”, contou.
Ciro destacou que o impacto poderia ter sido muito maior. “É uma área residencial bem densa, com muitos prédios. Se o avião tivesse caído em cima de um deles, teria sido uma tragédia muito maior. Ele bateu na lateral do prédio e caiu num estacionamento, o que acabou diminuindo o impacto”, avaliou.
Para o piauiense, a atuação do piloto foi decisiva para evitar mais mortes. “Pelo que a gente viu depois, ele chegou a contornar prédios. Acredito que tentou levar o avião para um local aberto. Se foi isso, ele acabou poupando muitas vidas”, afirmou.

VÍTIMAS E INVESTIGAÇÃO
Duas pessoas morreram ainda no local: o piloto Wellington de Oliveira Pereira, de 34 anos, e Fernando Souto Moreira, de 36 anos, que ocupava o banco do copiloto. Um terceiro ocupante, o empresário Leonardo Berganholi, de 50 anos, morreu horas depois, no Hospital João XXIII.
Os outros dois passageiros seguem internados: Arthur Schaper Berganholi, de 25 anos, filho de Leonardo, e Hemerson Cleiton Almeida Souto, de 53 anos.
O prédio atingido foi evacuado por equipes do Corpo de Bombeiros como medida de segurança. A Força Aérea Brasileira (FAB) informou que investigadores do Centro de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos (Cenipa) foram acionados para apurar as causas da queda. A Polícia Civil de Minas Gerais também investiga o caso.
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