A morte da terapeuta piauiense Gabriela Moura, de 31 anos, após um procedimento de retirada de óvulos em uma clínica particular na Zona Sul de São Paulo, está sendo investigada pela Polícia Civil como morte suspeita.
Imagens de câmeras de segurança mostram os momentos de desespero durante o atendimento à paciente, que sofreu uma parada cardiorrespiratória no dia 17 de fevereiro e teve morte encefálica confirmada uma semana depois.
As gravações, sem áudio, registram desde o interior da clínica até a transferência de Gabriela para a ambulância. Nas imagens, equipes médicas empurram a maca com a paciente, enquanto o marido, o médico Samuel Moura, acompanha a movimentação em busca de respostas.

O caso é investigado pelo 4º Distrito Policial (Consolação). Entre as hipóteses analisadas estão possível falha médica, reação à anestesia ou alguma condição de saúde não detectada previamente. A Polícia Civil aguarda o laudo do Instituto Médico Legal (IML), considerado essencial para esclarecer as causas da morte.
Um dos pontos levantados pela família é o tempo que Gabriela pode ter ficado sem oxigenação cerebral. Segundo o marido, estimativas indicam cerca de 15 minutos até que os batimentos cardíacos fossem restabelecidos, o que teria causado lesões irreversíveis. “Uma falta de atenção, uma falta de assistência”, afirmou Samuel, ao questionar a atuação durante o procedimento em entrevista à TV Globo.

De acordo com o prontuário médico, a morte ocorreu possivelmente em decorrência de encefalopatia anóxica — quando há falta de oxigênio no cérebro — associada à hipertensão intracraniana. Gabriela foi levada para a UTI do Hospital Sírio-Libanês, onde permaneceu internada até o dia 24 de fevereiro.
Em depoimento, o anestesista responsável afirmou que a paciente apresentou dificuldades respiratórias e que seguiu todos os protocolos de emergência, incluindo massagem cardíaca, uso de medicação e intubação. Já a médica que realizou a coleta dos óvulos disse que o procedimento ocorreu dentro da normalidade e durou cerca de 10 minutos, sendo acionada posteriormente quando a paciente apresentou complicações.
A Secretaria de Segurança Pública informou que as investigações continuam e que exames complementares, como o toxicológico, ainda estão em análise. A expectativa é que os resultados ajudem a esclarecer o que causou a parada cardiorrespiratória.
Gabriela era considerada saudável e ativa, praticava esportes e compartilhava nas redes sociais conteúdos sobre qualidade de vida. Ela e o marido planejavam a primeira gestação. Após a confirmação da morte, a família optou pela doação de órgãos. O corpo foi sepultado no Piauí, onde o casal se conheceu.

O que diz o Sírio-Libanês
“A paciente Gabriela Martins Santos de Moura veio transferida de outro serviço de saúde para o Sírio-Libanês após uma intercorrência. Em respeito à família e ao sigilo médico, o hospital não divulga boletins ou informações clínicas sem solicitação e autorização formal destes”, informa comunicado do Hospital Sírio-Libanês.
Clínica Genics
A Clínica Genics divulgou a seguinte nota sobre o caso da morte da paciente após retirada de óvulos:
“A Clínica Genics, por meio de sua direção, vem a público prestar esclarecimentos sobre o caso envolvendo o falecimento da paciente Gabriela Martins Santos Moura, ocorrido em fevereiro do corrente ano durante procedimento de coleta de óvulos para Fertilização in Vitro (FIV).
A Fertilização in Vitro é um tratamento de reprodução assistida realizado há mais de quatro décadas, que já possibilitou o nascimento de milhões de crianças em todo o mundo. Trata-se de um procedimento absolutamente seguro quando realizado em centros especializados e por profissionais habilitados, em conformidade com as normas nacionais e internacionais vigentes.
Estudos internacionais indicam que a mortalidade diretamente associada aos tratamentos de FIV é extremamente baixa, estimada em menos de 1 caso por 100 mil ciclos. No Brasil, segundo dados oficiais do Sistema Nacional de Produção de Embriões (SisEmbrio), da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), foram realizados mais de 44 mil ciclos de coleta de óvulos para FIV somente em 2025. Complicações graves são consideradas raras, e o óbito é um evento excepcionalmente incomum na prática da reprodução assistida.
A clínica, que atua há mais de 16 anos com reprodução assistida e que detém todas as licenças e certificações de acordo com a legislação vigente, preza por padrões estritamente rigorosos do ponto de vista técnico, mantendo-se alinhada às mais recentes evidências científicas e às exigências regulatórias nacionais e internacionais.
A médica ginecologista responsável, Dra. Aline Leite Nogueira, acompanhou a paciente Gabriela Martins Santos Moura antes e durante todo o procedimento. Antes da data do procedimento de captação de óvulos, a paciente Gabriela Martins Santos Moura foi submetida a avaliação clínica individualizada, sendo considerada plenamente apta a realizar os procedimentos inerentes à FIV, conforme determina a Resolução do Conselho Federal de Medicina (CFM) nº 2.320/2022, que regulamenta a reprodução assistida no Brasil.
A Dra. Aline Leite Nogueira informa que não houve qualquer intercorrência durante o procedimento ginecológico de coleta de óvulos. A intercorrência respiratória da paciente foi identificada pelo médico anestesista, que desde o início do procedimento, esteve presente com a paciente e que usou todos os recursos para reversão do quadro. Durante todo o episódio, todos os protocolos médicos e assistenciais foram adotados pelos profissionais envolvidos, que agiram dentro das melhores práticas e dos padrões exigidos pela regulamentação vigente, inclusive, com o acionamento da equipe de emergência para a pronta remoção da paciente ao hospital Sírio-Libanês.
A clínica reforça que, desde o ocorrido, colabora integralmente com as autoridades competentes, fornecendo todos os prontuários, registros e documentos solicitados. O caso encontra-se sob investigação formal e a direção mantém total disposição para contribuir com o esclarecimento dos fatos.
Em respeito à memória de Gabriela Martins Santos Moura e ao momento vivido por seus familiares, a clínica não se manifestará sobre detalhes específicos do caso enquanto perdurar a investigação. Reafirma sua solidariedade à família e seu compromisso inabalável com a transparência, a ética e a qualidade na prestação de serviços de saúde.
A clínica permanece à disposição das autoridades e da imprensa para esclarecimentos adicionais, dentro dos limites do sigilo legal e ético que envolve o caso.”
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