Moradores do bairro Eduardo Costa, na zona Sul de Teresina, denunciaram à TV Clube o mau cheiro vindo de um abatedouro localizado na BR-316, a cerca de 3 km da comunidade. Segundo os moradores, o odor forte atinge a região, onde vivem cerca de 800 famílias.
O local atua no comércio atacadista e varejista de carnes e derivados. De acordo com os relatos, o problema tem prejudicado a rotina da população, afetado a valorização de imóveis e causado mal-estar em moradores.
Segundo o presidente da associação de moradores do bairro, Pedro Júnior, as denúncias são antigas. De acordo com ele, a população já recorreu ao Ministério Público do Piauí (MP-PI), mas o problema ainda não foi resolvido.

“Não tem quem aguente mais. Aqui, quando é 5h da manhã, é uma catinga de cabelo queimando, de tarde, é catinga de couro podre, de noite, é catinga de osso podre”, disse.
Incomodados com a situação, alguns moradores chegaram a deixar o bairro e abandonar imóveis. A professora Socorro Santos, que mora na região há 12 anos, relatou que chega a sentir falta de ar por causa do cheiro forte vindo do local.

“Às vezes, a gente chega a se trancar dentro do quarto, ligar o ar-condicionado, para melhorar. A gente tem crise de vômito e as crianças estão passando muito mal. Eu tenho vizinhos que têm crianças e elas reclamam o tempo todo. Às vezes, são obrigadas a ir para casas de parentes por não aguentarem o mau cheiro, pelo mal-estar que isso está causando”, relatou.
As crianças também estão entre as pessoas afetadas. Segundo moradores, o odor tem prejudicado até mesmo as aulas na escola do bairro. O estudante Guilherme Silva afirmou que tem apresentado problemas de saúde e relaciona a situação ao mau cheiro.

“Eu estou doente faz dias. Esse mau cheiro pode trazer muitas doenças nesse bairro, mas se ninguém tirar esse cheiro, ninguém vai viver nesse bairro”, afirmou.
Outro lado
A TV Clube apurou que o local é um complexo formado por quatro fábricas, incluindo o abatedouro. A Secretaria Municipal de Meio Ambiente (Semam) informou que o estabelecimento possui licença ambiental vigente.
O órgão ressaltou ainda que não há denúncias recentes formalizadas sobre o caso, mas que fará uma verificação no local. Segundo a Semam, também será investigado qual estabelecimento realiza a atividade responsável pelo problema na região.
Já a Agência de Defesa Agropecuária do Piauí (Adapi) informou que o mau cheiro é provocado por uma graxaria, uma indústria responsável por coletar e processar resíduos e subprodutos de carne provenientes de abatedouros e açougues.
Ainda de acordo com técnicos, a fiscalização desses locais é de responsabilidade do Ministério da Agricultura. A reportagem procurou o órgão e também o MP-PI, mas não obteve resposta. O espaço segue aberto para esclarecimentos.
Envie sua sugestão de pauta para nosso WhatsApp e entre no nosso Canal.
Confira as últimas notícias: clique aqui!
