Em São Raimundo Nonato, Sul do Piauí, pequenos agricultores estão transformando a própria realidade com o cultivo do algodão agroecológico. Produzido sem agrotóxicos, em consórcio com outras culturas e respeitando o ritmo da natureza, o modelo de produção tem levado desenvolvimento econômico e social à zona rural do município. A fibra, que nasce da terra piauiense, já atravessa oceanos e muda a vida de quem vive do campo.
Cultivado na Vila Agroecológica Zabelê, a produção tem como estratégia de plantar o algodão junto a outras culturas, fortalecendo o solo, reduzindo os riscos de perda e garantindo alimento na mesa das famílias.
Vilmar de Jesus Monteiro é um dos produtores que aposta na cultura há mais de uma década. Ele destacou que o cultivo no semiárido, apesar dos desafios, se tornou uma alternativa viável e sustentável.

“É uma das culturas que menos dá trabalho e que é mais bom para a gente colher é o algodão. [Vai dar para colher] mais de 500 kg para frente. É uma produção boa”, disse.
O cultivo é feito de forma simples e tradicional, sem o uso de defensivos químicos ou fertilizantes sintéticos. Para nutrir o solo e combater pragas, os agricultores utilizam práticas naturais e manejo sustentável. O esforço coletivo rendeu às famílias o selo de certificação de produtos orgânicos, um reconhecimento que abriu portas para o mercado internacional.
O algodão chegou ao semiárido piauiense por volta de 2011, mas foi a partir de 2015, com a certificação orgânica, que os resultados começaram a aparecer com mais força. Desde então, toda a produção da agricultura familiar passou a ser exportada, garantindo renda e estabilidade para os produtores.
Atualmente, a área plantada chega a 57 hectares. Na safra mais recente, foram produzidos 9.287 kg de algodão herbáceo, com destino certo: a França. O mercado europeu, conhecido por ser exigente e voltado à moda sustentável, valoriza não apenas a qualidade da fibra, mas também a história por trás de cada pluma colhida.

Segundo a Associação dos Produtores Agroecológicos do Semiárido Piauiense (APASPI) em São Raimundo Nonato, cerca de 100 agricultores estão envolvidos na produção.
Além de fortalecer a economia local, o modelo agroecológico também incentiva a organização social e sindical dos trabalhadores rurais. Para Damião Santos da Silva, representante do Sindicato dos Trabalhadores Rurais de São Raimundo Nonato, a agroecologia representa o futuro do campo.
“Ele [cultivo de algodão] deve ser assistido, deve ser cada dia mais acompanhado pelo poder público, pelo Sindicato dos Trabalhadores Rurais. A pessoa tem uma rocinha, planta um algodão, planta um milho, planta uma melancia, mandioca, aí é sempre associado para ter um proveito de tudo”, afirmou.
Outro ponto importante é a diversificação das lavouras. No mesmo pedaço de terra onde o algodão cresce, também são cultivados milho, macaxeira, melancia e tomate. A técnica garante segurança alimentar e reduz a dependência de uma única cultura.

Entre tradição e inovação, o algodão agroecológico segue costurando novas histórias no Sul do Piauí, uma produção limpa, sustentável e que transforma vidas.
Envie sua sugestão de pauta para nosso WhatsApp e entre no nosso Canal.
Confira as últimas notícias: clique aqui!