19 de junho de 2026

Família de idosa morta após ataque de cachorro em Teresina lamenta: “Era muito brincalhona”

Familiares afirmam que o animal vivia com a família e se assustou com fogos após gol do Brasil

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Entre as fotos na estante da família, o altar devocional no quarto da idosa e as roupas cuidadosamente arrumadas, os familiares lembram com saudade de Maria Esther Noronha, de 88 anos, que faleceu no último sábado (13), após ser atacada pelo animal de estimação da casa. A família alega que o cachorro se assustou durante a queima de fogos do primeiro jogo da seleção brasileira. O ocorrido aconteceu no bairro Lourival Parente, zona Sul de Teresina.

O animal, um vira-lata de grande porte chamado Zeus, tem 12 anos e teria ficado agitado com os sons dos fogos de artificio. Com as explosões o cachorro acabou mordendo o braço da idosa, derrubando-a e, em seguida, Maria Esther foi mordida no pescoço.

Maria Esther era muito religiosa, de acordo com a família (Foto: Vitória Luna)

A idosa chegou a ser socorrida pelo Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) e encaminhada ao Hospital de Urgência de Teresina (HUT). Apesar de receber sete bolsas de sangue devido à gravidade dos ferimentos, não resistiu e veio a óbito ainda no fim de semana.

Da esquerda para a direita: nora da idosa, Rejane Noronha, sobrinha, Maria Clara Noronha, e o neto, Durval Paiva — Foto: Vitória Luna

A nora da vítima, Rejane Noronha, relatou à Rede Clube que, durante a comemoração do gol da seleção brasileira, a idosa estava saindo de casa, mas não avisou aos familiares que passaria pela área onde Zeus se encontrava.

“Ela passou pela área na hora do gol do Brasil. Tínhamos a preocupação de não deixá-la sozinha, por conta da idade. Mas ela saiu sem avisar ninguém. O cão já estava agitado por causa dos fogos, antes mesmo do jogo começar”, explicou.

Segundo Rejane, vizinhos presenciaram a situação e alertaram os demais familiares que estavam na residência. A família destacou que o animal vive com eles há 12 anos e sempre manteve uma relação de carinho com todos.

Maria Clara Noronha, sobrinha da vítima, relembra com emoção os cuidados e a trajetória de vida de Maria Esther, uma mulher que superou três episódios de câncer, além de um grave quadro de pneumonia. A sobrinha conta que a idosa nunca perdeu a alegria de viver.

“Estou enfrentando a minha primeira grande perda. Ela era minha segunda mãe, muito próxima. Superou dois cânceres de mama e um de pele, sempre com leveza e bom humor. Era muito brincalhona”, contou.

Alerta contra fogos de artifício

Os familiares reforçaram o pedido de atenção quanto ao uso de fogos de artifício, destacando que o barulho pode prejudicar a saúde dos animais e provocar situações de risco, como a registrada.

No Piauí, a Lei nº 7.643, de 26 de novembro, proíbe o uso, manuseio e soltura de fogos com estampido ou efeitos sonoros. A medida atinge eventos como o réveillon, permitindo apenas fogos com efeito visual, sem ruído, exceto em celebrações religiosas.

Segundo Durval Paiva, neto de dona Esther, algumas pessoas questionaram o porte e a raça do cachorro envolvido no caso, mas ele enfatizou que o principal fator foi o estresse causado pelos fogos.

“A situação acabou resultando em um acidente. O animal estava muito agitado por causa dos fogos. Era um cachorro idoso, de 12 anos, que sempre viveu em ambiente familiar”, afirmou.

O descumprimento da lei pode gerar multa de R$ 1,5 mil para pessoas físicas e R$ 2 mil para empresas. Em caso de reincidência dentro de um período de 60 dias, o valor pode ser dobrado.

A missa de sétimo dia de Maria Esther Noronha será realizada neste sábado (20), às 17h, na Capela São Paulo Apóstolo, no bairro Lourival Parente.


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