22 de junho de 2026

Mãe denuncia morte de bebê após parto em hospital e arquivamento de Boletim de Ocorrência em Picos

A família da mulher que perdeu o bebê alega que o delegado que arquivou o caso é irmão da médica responsável pelo parto.

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Foto: Reprodução

Uma jovem de 22 anos denunciou a morte da filha durante o parto no Hospital Regional Justino Luz, em Picos, no Sul do Piauí. O caso aconteceu em janeiro, mas ganhou repercussão apenas recentemente.

De acordo com a família, a morte teria ocorrido após a médica responsável insistir na realização de um parto normal, mesmo diante do agravamento do quadro. A criança morreu minutos após o nascimento.

Segundo a advogada Thaysa Soares, que representa a jovem, o trabalho de parto durou cerca de sete horas. Durante esse período, a cesárea chegou a ser solicitada, mas não foi autorizada pela médica.

“A paciente relatou dores intensas e já estava exausta, sem conseguir mais fazer força. Mesmo assim, o procedimento não foi autorizado”, afirmou a advogada.

A bebê nasceu por volta de 0h15 do dia 4 de janeiro, sem sinais vitais aparentes. Conforme a certidão de óbito, a morte foi confirmada cinco minutos depois, por parada cardiorrespiratória e insuficiência respiratória.

Ainda de acordo com a defesa, a médica não estava presente no momento do parto e só compareceu após o falecimento para realizar procedimentos na mãe.

Boletim arquivado e investigação retomada

A advogada informou que a família registrou um boletim de ocorrência em fevereiro, mas o documento foi arquivado três dias depois, sem abertura de inquérito.

Segundo ela, o arquivamento teria sido feito por um delegado que estava substituindo o titular da unidade e que seria irmão da médica denunciada.

Diante da situação, a defesa acionou o Ministério Público para solicitar apuração do caso e da conduta do delegado.

O delegado-geral do Piauí, Luccy Keiko, informou que a Corregedoria foi acionada para investigar o arquivamento e que um novo procedimento foi instaurado para apurar as circunstâncias da morte.

“A investigação será conduzida com o máximo de rigor técnico e isenção”, afirmou.

Hospital e órgãos se manifestam

Em nota, o Hospital Regional Justino Luz informou que um comitê interno analisou o caso e concluiu que a morte da bebê foi um “evento adverso de natureza clínica”, sem relação direta com negligência, imprudência ou imperícia.

O Conselho Regional de Medicina do Piauí (CRM-PI) informou que não se manifesta sobre processos sob sigilo.

Já o Ministério Público confirmou que há um procedimento em andamento para apurar possíveis falhas no serviço de obstetrícia da unidade.

Relato da mãe

Segundo a defesa, a jovem mora em Itainópolis e deu entrada no hospital no dia 3 de janeiro. Inicialmente, outro médico avaliou que ela poderia ter parto normal.

Com a troca de plantão, a médica denunciada assumiu o atendimento. A partir desse momento, segundo a advogada, houve agravamento do estado da paciente e ausência da profissional em momentos decisivos.

Após o parto, a jovem permaneceu no hospital até a manhã seguinte e só conseguiu liberação para participar do velório da filha após intervenção da defesa.

A Polícia Civil segue investigando o caso para esclarecer responsabilidades.


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