
Uma jovem de 22 anos denunciou a morte da filha durante o parto no Hospital Regional Justino Luz, em Picos, no Sul do Piauí. O caso aconteceu em janeiro, mas ganhou repercussão apenas recentemente.
De acordo com a família, a morte teria ocorrido após a médica responsável insistir na realização de um parto normal, mesmo diante do agravamento do quadro. A criança morreu minutos após o nascimento.
Segundo a advogada Thaysa Soares, que representa a jovem, o trabalho de parto durou cerca de sete horas. Durante esse período, a cesárea chegou a ser solicitada, mas não foi autorizada pela médica.
“A paciente relatou dores intensas e já estava exausta, sem conseguir mais fazer força. Mesmo assim, o procedimento não foi autorizado”, afirmou a advogada.
A bebê nasceu por volta de 0h15 do dia 4 de janeiro, sem sinais vitais aparentes. Conforme a certidão de óbito, a morte foi confirmada cinco minutos depois, por parada cardiorrespiratória e insuficiência respiratória.
Ainda de acordo com a defesa, a médica não estava presente no momento do parto e só compareceu após o falecimento para realizar procedimentos na mãe.
Boletim arquivado e investigação retomada
A advogada informou que a família registrou um boletim de ocorrência em fevereiro, mas o documento foi arquivado três dias depois, sem abertura de inquérito.
Segundo ela, o arquivamento teria sido feito por um delegado que estava substituindo o titular da unidade e que seria irmão da médica denunciada.
Diante da situação, a defesa acionou o Ministério Público para solicitar apuração do caso e da conduta do delegado.
O delegado-geral do Piauí, Luccy Keiko, informou que a Corregedoria foi acionada para investigar o arquivamento e que um novo procedimento foi instaurado para apurar as circunstâncias da morte.
“A investigação será conduzida com o máximo de rigor técnico e isenção”, afirmou.
Hospital e órgãos se manifestam
Em nota, o Hospital Regional Justino Luz informou que um comitê interno analisou o caso e concluiu que a morte da bebê foi um “evento adverso de natureza clínica”, sem relação direta com negligência, imprudência ou imperícia.
O Conselho Regional de Medicina do Piauí (CRM-PI) informou que não se manifesta sobre processos sob sigilo.
Já o Ministério Público confirmou que há um procedimento em andamento para apurar possíveis falhas no serviço de obstetrícia da unidade.
Relato da mãe
Segundo a defesa, a jovem mora em Itainópolis e deu entrada no hospital no dia 3 de janeiro. Inicialmente, outro médico avaliou que ela poderia ter parto normal.
Com a troca de plantão, a médica denunciada assumiu o atendimento. A partir desse momento, segundo a advogada, houve agravamento do estado da paciente e ausência da profissional em momentos decisivos.
Após o parto, a jovem permaneceu no hospital até a manhã seguinte e só conseguiu liberação para participar do velório da filha após intervenção da defesa.
A Polícia Civil segue investigando o caso para esclarecer responsabilidades.
Envie sua sugestão de pauta para nosso WhatsApp e entre no nosso Canal.
Confira as últimas notícias: clique aqui!