29 de agosto de 2026

Imagens exclusivas mostram tentativa de sequestro em maternidade; suspeita tinha quarto de bebê montado

Técnica de enfermagem foi flagrada com recém-nascida dentro de uma bolsa

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Imagens exclusivas obtidas pela TV Globo mostram os momentos que antecederam a tentativa de sequestro de uma recém-nascida dentro da Maternidade Dona Evangelina Rosa, em Teresina. A principal investigada é a técnica de enfermagem Auricélia Rocha, funcionária da unidade há pouco mais de dois anos, que estava de folga no dia do caso.

As imagens revelam que, às 13h40, Auricélia aparece caminhando com a bebê por um corredor do hospital. Segundo a família da criança, ela teria informado à mãe da recém-nascida que levaria a menina para a realização de exames de rotina, incluindo o teste do pezinho.

Desconfiada da situação, a tia da bebê, Daniela Beatriz, decidiu acompanhar a movimentação do lado de fora da sala. Poucos minutos depois, a técnica deixou o local sem a criança, carregando uma bolsa preta de grande porte e entrou em um banheiro.

“Ela vai pro banheiro, eu já fico olhando aquela situação. Eu sinto que aquele negócio não tá certo”, relatou Daniela.

De acordo com a testemunha, Auricélia saiu do banheiro usando roupas diferentes das que vestia anteriormente. Às 13h45, Daniela decidiu interceptá-la. Ao abrir a bolsa, encontrou a sobrinha dentro dela.

“Quando eu puxo, a neném tá lá. Eu questiono: ‘Mulher, pelo amor de Deus, o que tu tá fazendo com essa menina nessa bolsa?’. Eu já tiro a neném e saio pedindo socorro”, contou.

Técnica de enfermagem é presa após tentar levar recém-nascida em bolsa de maternidade no Piauí. (Foto: Reprodução/Fantástico)

A familiar afirma que somente depois percebeu a gravidade do que havia acabado de impedir. A rápida ação foi decisiva para que a criança retornasse em segurança aos braços da mãe.

A jovem, de apenas 14 anos, havia saído de Castelo do Piauí para dar à luz em Teresina. Após o episódio, descreveu os momentos vividos como traumáticos. “Foi tudo ruim. Não vou esquecer nunca”, declarou.

O diretor administrativo e financeiro da Maternidade Dona Evangelina Rosa, José Alberto Alencar, lamentou o ocorrido, mas afirmou que não houve falha nos protocolos de segurança da unidade. Segundo ele, o hospital dispõe de reconhecimento facial, portas com acesso controlado por senhas e códigos, além de equipes treinadas para agir em situações semelhantes.

A Polícia Civil trata o caso como tentativa de sequestro. Conforme informou o delegado-geral Luccy Keiko, a comunicação tardia do crime impediu a prisão em flagrante. Posteriormente, a Justiça decretou a prisão preventiva de Auricélia Rocha.

As investigações apontam ainda que, logo após a repercussão do caso, a suspeita foi internada por familiares em uma clínica psiquiátrica. No dia seguinte, policiais aguardaram a alta médica para cumprir o mandado de prisão.

Mãe de recém-nascida diz que passou por momentos de angústia. (Foto: Reprodução/Fantástico)

QUARTO PREPARADO PARA BEBÊ

Um dos detalhes que chamou a atenção dos investigadores foi a descoberta feita na residência da técnica de enfermagem. Segundo a Polícia Civil, Auricélia já mantinha um quarto totalmente preparado para receber um bebê.

De acordo com o delegado Hugo Alcântara, foram encontrados berço, banheira, fraldas e diversas roupas infantis. Familiares ouvidos pela polícia afirmaram acreditar que ela estava grávida, embora não existissem exames que comprovassem a gestação.

“Constatamos que havia fralda, roupinha de bebê, banheira, berço. Todos os parentes disseram que acreditavam que ela estava grávida, mesmo sem ela apresentar qualquer exame”, afirmou o delegado.

Em depoimento, Auricélia exerceu o direito de permanecer em silêncio. A defesa informou, por meio de nota, que a técnica foi diagnosticada com sintomas esquizofrênicos, fazia uso de medicação psiquiátrica e apresenta comprometimento para compreender a gravidade dos fatos.

Apesar das alegações, o delegado responsável pelo caso afirmou que, até o momento, a investigação não trabalha com a hipótese de insanidade mental capaz de excluir a responsabilidade penal da suspeita.

Para a Polícia Civil, Auricélia agiu sozinha. Enquanto o inquérito segue em andamento, a família da recém-nascida reforça que a criança só foi salva graças à atenção e rapidez da tia, que desconfiou da situação a tempo de impedir que o plano fosse concluído.

CONFIRA O POSICIONA DA DEFESA

A defesa técnica de Auricélia de Sousa Rocha, representada pelo advogado Tiago Carvalho Moreira (OAB/PI nº 16.503 | OAB/MA nº 24.219-A), vem a público prestar os seguintes esclarecimentos:

Desde o início, a defesa manifesta profundo respeito à família da recém-nascida, aos profissionais da Maternidade Dona Evangelina Rosa e ao trabalho desenvolvido pelas autoridades responsáveis pela investigação dos fatos.

Entretanto, é imprescindível destacar que o caso possui um aspecto de extrema relevância que não pode ser ignorado: a condição de saúde mental da investigada.

Após os acontecimentos, Auricélia foi submetida à avaliação por equipe especializada do Hospital Areolino de Abreu, referência em psiquiatria no Estado do Piauí, tendo recebido o diagnóstico de Transtorno Psicótico Agudo Polimorfo com sintomas esquizofrênicos (CID F23.1), permanecendo em observação e recebendo alta com encaminhamento para acompanhamento psiquiátrico especializado.

Além disso, a defesa juntou aos autos documentos que demonstram que ela fazia uso de medicação de natureza psiquiátrica, circunstância que será devidamente submetida à apreciação do Poder Judiciário.

No atual estado clínico, conforme constatado pela defesa e pelos familiares, Auricélia apresenta importante comprometimento de sua compreensão acerca da realidade vivenciada, demonstrando dificuldade para compreender a gravidade dos fatos investigados e até mesmo a própria situação processual em que se encontra. Essa percepção é compatível com a necessidade de avaliação especializada já documentada, mas a repercussão jurídica desse quadro deverá ser apurada pelos meios periciais previstos na legislação, não cabendo à defesa antecipar conclusões sobre sua imputabilidade penal.

A defesa informa que protocolará pedido de revogação da prisão preventiva e, caso necessário, impetrará Habeas Corpus perante o Tribunal de Justiça do Estado do Piauí, sustentando que a manutenção da custódia cautelar deve ser reavaliada também à luz dos documentos médicos supervenientes já apresentados ao Juízo.

É importante ressaltar que essa iniciativa não busca minimizar a gravidade dos fatos investigados, tampouco desrespeitar o sofrimento da família envolvida. O objetivo é assegurar que o processo penal observe integralmente a Constituição Federal, o devido processo legal e os direitos fundamentais da investigada, inclusive o direito de receber tratamento médico adequado quando há elementos clínicos relevantes.

A defesa reafirma sua confiança nas instituições, no Ministério Público e no Poder Judiciário, acreditando que todas as decisões serão tomadas com base nas provas constantes dos autos, na legislação vigente e nos princípios constitucionais que regem o Estado Democrático de Direito.


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