27 de julho de 2026

Canetas emagrecedoras podem influenciar saúde bucal; veja alerta de especialista

O uso das chamadas “canetas emagrecedoras” tem crescido significativamente nos últimos anos, impulsionado pela busca por perda de peso e controle metabólico.

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Foto: Laísa Queiroz/Ministério da Saúde

O uso das chamadas “canetas emagrecedoras” tem crescido significativamente nos últimos anos, impulsionado pela busca por perda de peso e controle metabólico. No entanto, além dos benefícios já conhecidos, especialistas alertam para efeitos colaterais que também podem comprometer a saúde bucal.

De acordo com a dentista Fabíola Serra, medicamentos análogos do GLP-1 e GIP, como semaglutida, liraglutida e tirzepatida, podem desencadear alterações que favorecem problemas bucais. Um dos principais riscos está relacionado aos episódios frequentes de vômito. De acordo com a profissional, o contato constante dos dentes com o ácido gástrico pode provocar danos irreversíveis ao esmalte dentário.

“O vômito frequente aumenta o contato do esmalte com o ácido do estômago e como ele tem um pH extremamente ácido, ocorre uma desmineralização progressiva e irreversível do esmalte, que não se regenera. Isso pode causar erosão dental, sensibilidade, desgaste e aumentar o risco de cáries e fraturas”, alerta a especialista.

Outro efeito colateral bastante comum é a redução da produção de saliva, condição conhecida como hipossalivação, que provoca a sensação de boca seca, ou xerostomia. 

“A saliva desempenha um papel essencial na proteção da saúde bucal, ajudando a neutralizar ácidos, remover resíduos alimentares e controlar o crescimento de bactérias. Quando a produção diminui, a boca perde parte dessa proteção, favorecendo cáries, doenças periodontais, mau hálito e infecções fúngicas, como a candidíase oral”, destaca.

A dentista ressalta também que a combinação entre boca seca, acúmulo de biofilme bacteriano e possíveis episódios de náuseas e vômitos cria um cenário favorável para o surgimento de doenças bucais. Além disso, a redução da alimentação durante o tratamento pode provocar deficiências nutricionais que dificultam a cicatrização após procedimentos odontológicos.

“O uso dos análogos do GLP-1 pode aumentar o risco de cáries e doenças gengivais principalmente pela redução da produção de saliva e, em alguns casos, pelos episódios de vômito. Com menos saliva, a boca perde parte de sua proteção natural contra bactérias e ácidos, favorecendo o acúmulo de biofilme e a inflamação da gengiva”, afirma.

Sinais de alerta

Pacientes que utilizam canetas emagrecedoras devem ficar atentos a sintomas que podem indicar alterações na saúde oral. Entre os principais sinais estão boca seca persistente, mau hálito frequente, sensibilidade dentária, gengiva inchada, avermelhada ou com sangramento, placas esbranquiçadas na boca, que podem indicar candidíase oral, além de desgaste ou erosão dos dentes, especialmente em pessoas que apresentam episódios de vômito.

Para minimizar os impactos dos medicamentos, especialistas recomendam manter uma boa hidratação, reforçar os cuidados de higiene bucal e realizar acompanhamento odontológico regular. Também é importante informar ao dentista sobre o uso das medicações para que o profissional possa orientar medidas adequadas.

“Após episódios de vômito, o ideal é enxaguar a boca com água ou com uma solução de água e um pouco de bicarbonato de sódio para reduzir a acidez. Depois, a escovação deve ser feita normalmente com creme dental fluoretado. Também é importante manter uma boa hidratação e, em casos de boca seca, utilizar chicletes sem açúcar ou saliva artificial. Se notar sensibilidade nos dentes, manchas, aftas frequentes ou mau hálito persistente, procure um cirurgião-dentista”, orienta Fabíola Serra.


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