
Fenômeno climático natural, o El Niño ocorre devido ao aquecimento anormal das águas superficiais do Oceano Pacífico Tropical. Esse aumento da temperatura interfere diretamente nos padrões de chuva e vento em diversas partes do mundo, provocando impactos que podem afetar a rotina de milhões de pessoas.
De acordo com Francisco Wellington, geógrafo e coordenador de Ensino e Capacitação da Defesa Civil, no Brasil o fenômeno provoca diferentes efeitos, mas no Nordeste a principal consequência é o agravamento da seca.
“O El Niño é um fenômeno que compreende o aquecimento do Oceano Pacífico e, para o Brasil, ele provoca diversos impactos. Especialmente no Nordeste, ele corresponde à questão da seca. Então, ele vai trazer para a região Nordeste secas muito mais intensas e prolongadas”, explicou.
Segundo a meteorologista Sônia Feitosa, da Sala de Monitoramento e Previsão de Eventos Climáticos Extremos, atualmente, o fenômeno apresenta intensidade moderada, mas a tendência é que ele se intensifique ao longo do trimestre de setembro, outubro e novembro.
NO PIAUÍ
No Piauí, o principal impacto deve ser o aumento das temperaturas, justamente durante o período conhecido como B-R-O Bró, marcado pelo calor intenso. Em relação aos eventos extremos, a meteorologista afirma que o estado não deve enfrentar grandes enchentes, como ocorre na Região Sul, mas alerta para a redução das chuvas e o aumento da ocorrência de eventos críticos.
“A tendência é de redução das chuvas. Uma característica do El Niño também é aumentar a incidência de eventos críticos. Então, em algum momento, não tanto como em outros estados do Sul, eles poderão ser intensificados e mais recorrentes. Mas o principal impacto é a seca”, destacou.
A meteorologista também explica que o fenômeno pode prolongar os períodos de estiagem, elevar ainda mais as temperaturas e aumentar a incidência de incêndios, além de provocar mortandade de animais e impactos na economia.
Apesar disso, Sônia Feitosa ressalta que cada episódio do El Niño se comporta de maneira diferente e que seus efeitos dependem da atuação de outros sistemas meteorológicos e oceânicos, além da capacidade de resposta dos órgãos públicos.
O alerta é que estados e municípios do Nordeste devem adotar medidas preventivas diante da atuação do fenômeno. Segundo Francisco Wellington, os efeitos do El Niño já começam a ser sentidos no Brasil e tendem a se intensificar ao longo do segundo semestre, principalmente com temperaturas mais elevadas e períodos de estiagem prolongada na região Nordeste.
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