29 de setembro de 2026

Home office se consolida no Brasil, mas perde força após pico da pandemia

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O trabalho remoto deixou de ser uma exceção para se tornar parte da realidade do mercado brasileiro. Embora o número de profissionais atuando em home office tenha recuado nos últimos anos, a modalidade permanece mais presente do que antes da pandemia da Covid-19, refletindo mudanças duradouras na forma como empresas e trabalhadores organizam suas rotinas.

Dados do IBGE mostram que, em 2025, 7,9% dos trabalhadores brasileiros exerciam suas atividades dentro de casa. O percentual é menor do que os 8,4% registrados em 2022, período imediatamente posterior às medidas mais rígidas de distanciamento social. Ainda assim, o índice continua superior aos números observados antes da pandemia. Em 2019, apenas 5,8% dos trabalhadores atuavam em trabalho remoto. Em 2012, quase uma década antes da pandemia, esse percentual era ainda menor: 3,6%.

Os dados indicam que a transformação nas modalidades de trabalho já estava em andamento antes mesmo da crise sanitária. O avanço das tecnologias digitais, a expansão da internet e o crescimento de atividades que podem ser realizadas remotamente contribuíram para o aumento gradual do home office ao longo da última década.

A pandemia, porém, acelerou esse processo de forma inédita. Com restrições de circulação e fechamento temporário de escritórios, empresas de diversos setores precisaram adotar o trabalho remoto para manter suas operações. Ao mesmo tempo, milhões de trabalhadores reorganizaram a rotina doméstica para transformar a própria casa em ambiente de trabalho.

Nos anos seguintes, parte das empresas passou a defender o retorno aos escritórios. A avaliação de gestores sobre produtividade, colaboração entre equipes e fortalecimento da cultura organizacional impulsionou a retomada do trabalho presencial em muitos setores. Como resultado, a participação dos trabalhadores em estabelecimentos físicos voltou a crescer: passou de 57,9% em 2022 para 60,2% em 2025.

Mesmo com esse movimento, o home office não desapareceu totalmente. Muitas organizações adotaram modelos híbridos, alternando dias presenciais e remotos. A experiência dos últimos anos mostrou que determinadas funções podem ser desempenhadas fora dos escritórios sem comprometer os resultados, além de oferecer benefícios como redução do tempo de deslocamento e maior flexibilidade para os profissionais.

Atualmente, a distribuição dos locais de trabalho no Brasil revela um mercado mais diversificado do que há uma década. Em 2025, 60,2% dos trabalhadores atuavam em estabelecimentos do próprio empreendimento. Outros 13,8% trabalhavam em locais definidos pelo empregador ou pelo cliente. Já 8,4% exerciam atividades em fazendas, sítios, granjas ou chácaras. O grupo que trabalha em casa representa 7,9% dos ocupados. Além disso, 5% atuavam em veículos automotores e 2,1% em vias ou áreas públicas.

Especialistas apontam que o futuro do trabalho deve combinar diferentes formatos, conforme as necessidades das empresas e as características de cada atividade. O que os números mostram é que, mesmo após o fim da pandemia, a experiência do home office deixou uma marca definitiva no mercado brasileiro, consolidando novas possibilidades de organização do trabalho e redefinindo a relação entre vida profissional e pessoal.


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