16 de outubro de 2026

Atleta piauiense de xadrez treina cerca de três horas por dia: “Faz parte da minha rotina e dos meus objetivos”

Sem treinador ou patrocínios, adolescente estudante de escola pública, enfrenta desafios para conciliar rotina de treinos e estudos.

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(Foto enviada ao Portal Clube News)

O atleta de xadrez Victor Emanuel, de 16 anos, é estudante de uma escola pública em Teresina (PI) e treina por cerca de três horas diariamente. Em entrevista ao Portal Clube News, ele relatou que já representa o Piauí nacionalmente e detalhou a rotina de treinos e desafios enfrentados.

Segundo Victor Emanuel, o interesse pela modalidade surgiu ainda criança, no computador do tio. Logo, sua curiosidade cresceu e o xadrez passou a ser levado cada vez mais à sério por ele. Hoje treina de maneira autônoma, sem um professor para ensiná-lo.

“Comecei a me interessar pelo xadrez por curiosidade e, com o tempo, fui percebendo que era uma modalidade que combinava muito comigo e comecei a assistir aulas de xadrez no YouTube. No início era mais uma brincadeira e uma forma de aprender, mas fui gostando cada vez mais, comecei a estudar por conta própria e a participar de competições.”, relatou.

Rotina de treinamento

De acordo com Victor Emanuel, sua rotina é intensa. Ele organiza os estudos durante o dia e busca encaixar os treinamentos durante o fim da tarde e à noite. 

“Em média, treino cerca de duas a três horas por dia. Estudando partidas, fazendo exercícios de tática, trabalhando cálculo e analisando meus próprios jogos e os de grandes jogadores. Hoje o xadrez faz parte da minha rotina e dos meus objetivos. Além dos treinos, também participo de torneios e procuro aprender com cada partida, independentemente do resultado.”, afirmou.

(Foto enviada ao Portal Clube News)

Recentemente o atleta participou do Campeonato Brasileiro de Xadrez Escolar, em Caxambu, município localizado no sul do estado de Minas Gerais. Com participantes de diversas regiões e estados do país, ele alcançou o primeiro lugar entre os atletas nordestinos.

Desafios

Durante o percurso, até chegar ao campeonato nacional, o adolescente relata que precisou enfrentar diversos desafios, inclusive a ausência de um treinador ou comissão técnica.

“Um dos principais desafios foi a logística, principalmente com alimentação, hospedagem e transporte. Além disso, participei da competição sem um treinador me acompanhando, então precisei lidar com muitas situações por conta própria e manter a concentração durante as partidas.”, declarou.

Para ele o dia a dia é difícil, mas satisfatório: “É uma rotina que exige bastante disciplina, porque preciso conciliar escola, estudos e competições, mas gosto muito desse desafio. Meu objetivo é continuar evoluindo, conquistar títulos e representar cada vez melhor o Piauí no xadrez.”, destacou.

A mãe do atleta, Laenne Silva, trabalha como empregada doméstica e vendedora ambulante. Segundo ela, a realidade difícil da família não permitiu que o adolescente tivesse acesso a treinamentos profissionais, aulas de xadrez ou equipe técnica. Contudo, isto não impediu que ele encontrasse o próprio caminho para seguir com o sonho.

“Eu acredito que, se o Victor tivesse um apoio maior, com acompanhamento profissional, treinador e mais estrutura para participar das competições, isso poderia abrir ainda mais caminhos para ele. Mas, mesmo com todas essas dificuldades, a dedicação dele já fez com que chegasse a uma competição nacional.”, relatou.

Apoio familiar

Mesmo sem uma equipe profissional ou grandes condições financeiras, o atleta pode contar com o apoio de seus familiares. Ainda de acordo com a mãe, a família tenta oferecer suporte e já chegou a vender itens de casa para ajudar a custear deslocamentos para competições.

“Ele sempre teve o apoio da família. A gente acredita muito nele e, muitas vezes, fizemos o que estava ao nosso alcance para que ele pudesse continuar. Já chegamos até a vender coisas de dentro de casa para conseguir pagar inscrição e viagem. Também fazemos rifas e vaquinhas quando é necessário, porque sabemos que cada competição é uma oportunidade para ele crescer.”, afirmou.

Ela enfatiza o orgulho pelo filho “eu vejo de perto o quanto ele estuda, o quanto se dedica e o quanto ele corre atrás, mesmo sem ter toda a estrutura que muitos atletas têm.”.

Incentivo aos atletas piauienses

De acordo com Leanne Silva, os atletas do estado são talentosos, porém a falta de estrutura é um obstáculo. Ela conta que o período preparatório para o Campeonato Nacional foi desgastante: “A gente bateu de porta em porta atrás de ajuda, de patrocínio, e muitas portas se fecharam na nossa frente.”.

“Eu acredito que uma porta aberta para um pode acabar abrindo caminho para muitos outros. O Piauí tem muitos talentos, muitos meninos e meninas com capacidade, vontade e potencial. Às vezes, o que falta não é talento. É oportunidade, estrutura e alguém disposto a acreditar neles.”, disse.

Lições do xadrez

Conforme o atleta, o xadrez ensina sobre a importância de pensar antes de agir e aceitar imprevistos. “Uma partida pode mudar completamente em poucos minutos, e na vida também é assim. Aprendi a lidar melhor com os erros, analisar o que aconteceu, aprender com eles e continuar seguindo em frente.”, afirmou.

Victor Emanuel ainda encorajou jovens que se interessam pela modalidade: “Eu diria para não terem medo de começar. O xadrez é uma modalidade que pode ser praticada por qualquer pessoa e, além de ser divertido, ajuda muito no raciocínio, na concentração e na tomada de decisões.”, finalizou.


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