20 de outubro de 2026

Pais que não impõem limites criam filhos que acreditam que o mundo deve obedecê-los

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(Foto: Piksel)

Por Nathanya Moraes | Psicopedagoga Clínica

Existe uma geração de pais que, por medo de frustrar os filhos, está abrindo mão de uma das suas maiores responsabilidades: educar.

São adultos que evitam dizer “não”, cedem diante de birras, justificam comportamentos inadequados e confundem respeito à infância com ausência de autoridade parental.

O resultado pode ser percebido em crianças que não toleram contrariedades, não aceitam esperar, desafiam constantemente as orientações dos adultos e acreditam que suas vontades devem prevalecer sobre as necessidades e os direitos dos outros.

E precisamos falar sobre uma verdade desconfortável: nem todo comportamento inadequado é consequência de um transtorno. Às vezes, falta limite, rotina, coerência e responsabilidade dos adultos.

Na prática clínica, encontramos famílias que desejam mudanças significativas no comportamento dos filhos, mas apresentam resistência quando são orientadas a modificar suas próprias atitudes.

Querem crianças que respeitem regras, mas não sustentam as regras dentro de casa. Querem filhos emocionalmente regulados, mas cedem diante de qualquer manifestação de frustração. Exigem resultados da escola e dos terapeutas, enquanto continuam reforçando os mesmos comportamentos que desejam eliminar.

Não é responsabilidade exclusiva da escola ensinar aquilo que a família se recusa a estabelecer. Tampouco cabe ao terapeuta assumir o papel educativo dos pais.

É preciso compreender que a infância não pode ser conduzida exclusivamente pela vontade da criança. Crianças precisam ser ouvidas, acolhidas e respeitadas, mas também precisam compreender que existem regras, consequências, responsabilidades e limites nas relações humanas.

Permitir que uma criança agrida, desrespeite, manipule situações ou imponha suas vontades por meio de comportamentos inadequados não é uma demonstração de amor. É deixar de oferecer uma orientação essencial ao seu desenvolvimento.

Isso não significa defender punições humilhantes, violência ou autoritarismo. Significa reconhecer que educação respeitosa não é educação permissiva. Também é necessário distinguir comportamentos relacionados a condições do neurodesenvolvimento, dificuldades emocionais ou outras necessidades específicas daqueles que são influenciados por práticas educativas inconsistentes. Essas situações exigem avaliação cuidadosa, e não julgamentos precipitados.

Entretanto, nenhum diagnóstico elimina a importância da orientação parental e de limites adequados às possibilidades de cada criança. O mundo não será obrigado a ceder porque uma criança aprendeu que basta gritar, chorar ou desafiar para conseguir o que deseja. A sociedade possui regras. As relações exigem reciprocidade. A convivência pressupõe respeito. E a frustração faz parte da vida.

Pais precisam compreender que educar não é garantir a felicidade imediata dos filhos, mas prepará-los para enfrentar a realidade com autonomia, responsabilidade e equilíbrio emocional.

Uma criança não precisa vencer todas as discussões dentro de casa. Precisa encontrar adultos suficientemente seguros para conduzir sua educação. Porque quando os pais deixam de exercer sua responsabilidade, não estão necessariamente protegendo os filhos do sofrimento. Podem estar apenas adiando o encontro deles com limites que, mais cedo ou mais tarde, a vida apresentará.

Amar também é contrariar. Educar também é frustrar. E estabelecer limites não é falta de amor: é uma das suas expressões mais necessárias.

Nathanya Moraes

Psicopedagoga Clínica


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