1 de junho de 2026

Os perigos do uso do celular por crianças e adolescentes: quando o risco ultrapassa a tela

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Uso do celular por crianças e adolescentes (Foto: Freepink)

O celular se tornou uma ferramenta presente no cotidiano de crianças e adolescentes, seja para estudar, se comunicar ou se entreter. No entanto, o uso excessivo e desprotegido desses dispositivos tem exposto os jovens a riscos que vão muito além da dependência digital. Estamos falando de situações graves que envolvem violência, crimes cibernéticos e violações psicológicas profundas.

Um caso recente chocou o país: uma operação da Polícia Civil prendeu integrantes de uma quadrilha que compartilhava imagens íntimas de meninas e mulheres entre 11 e 19 anos nas redes sociais. As vítimas eram coagidas a participar de “desafios” humilhantes, incluindo automutilação, sob ameaça de exposição de fotos íntimas. A ação se estendeu por vários estados e revelou a crueldade de um esquema criminoso que explorava justamente a vulnerabilidade emocional de meninas em idade escolar.

Como neuropediatra, vejo diariamente os impactos neurológicos e comportamentais que o uso desenfreado da tecnologia pode causar em crianças e adolescentes: dificuldade de atenção, aumento da ansiedade, depressão, distúrbios do sono e uma crescente desconexão do mundo real. Além disso, o uso inadequado do celular pode comprometer o desenvolvimento da empatia, da comunicação interpessoal e da autorregulação emocional.

O cérebro em formação é altamente influenciável e, quando exposto precocemente a conteúdos inadequados ou experiências traumáticas, pode carregar consequências por toda a vida. Redes sociais, jogos online e aplicativos de mensagens criam um ambiente aparentemente inofensivo, mas que pode esconder práticas abusivas, manipulação emocional e crimes graves.

O contato com estranhos, o acesso a conteúdos violentos ou sexualizados, a exposição excessiva da imagem e o envolvimento em “desafios virais” são apenas alguns exemplos de comportamentos que colocam em risco a saúde física e mental dos nossos jovens. É fundamental que pais, mães e responsáveis estejam atentos. O diálogo aberto, a orientação constante e o uso de filtros de segurança são atitudes essenciais para proteger nossos filhos.

Celular não é brinquedo – é uma ferramenta poderosa que precisa de limites e acompanhamento. Mais do que controlar o tempo de uso, é necessário estar presente no universo digital das crianças. Afinal, segurança também se faz com afeto, presença e informação.

Por Dr. Ricello Lima – Neuropediatra


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