6 de maio de 2026

B-R-Ó BRÓ: calor, tempo seco… e sangue

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Sangramento nasal (Foto: iStock)

Chegou o B-R-Ó BRÓ e, como sempre, a tendência é a intensificação do calor e a queda intensa da umidade do ar na nossa região. E, com ele, há também piora da qualidade respiratória pela exposição persistente ao ar ambiente fora das condições ideias para nossas mucosas respiratórias. Nesse contexto, vemos aumento dos casos de epistaxe, nome técnico para sangramento de origem nasal.

As condições ideais para um bom funcionamento da mucosa nasal consistem de temperaturas entre 20 e 23°C com umidade variando entre 40 e 60%, bem diferente do calorão beirando os 40° com umidade menor que 30% que vivenciamos frequentemente nesta época. Ao contar com ajuda de ventiladores ou ares condicionados para amenizar a temperatura, contribuímos com maior ressecamento das mucosas uma vez que estes aparelhos reduzem mais ainda a umidade do ar e das superfícies.

A maior parte das epistaxes surge do rompimento de pequenos vasos da parte mais anterior do septo nasal (parede que separa uma narina da outra), onde há maior ressecamento, por ser a porta de entrada do ar no nariz, e maior trauma, por ser a região mais facilmente acessível a dedos cutucadores. Por mais que maioria dos pacientes chegue assustada (às vezes apavorados pela quantidade de sangue que pode escorrer), 90% desses casos decorre de problemas muito pequenos e relativamente simples de resolver nesta região e não, por alterações intracranianas graves relacionadas a AVCs, tumores ou afins. A maioria destes casos decorre basicamente do ressecamento da região e de pequenos traumas em uma área com mucosa muito fina com grande quantidade de pequenos vasos bem superficiais, que assim se rompem e levam ao sangramento.

Numa avaliação mais global, há de se considerar também alguns outros fatores importantes como: 1. idade (mais frequente em crianças e idosos, devido maior fragilidade da mucosa nasal); 2. uso de medicações diminuem a coagulação (AAS, varfarina, ginkgo biloba, heparina…); 3. nível da pressão arterial (maior pressão arterial, maior chance de sangramento nasal); 4. história de doenças crônicas, tanto nasais, como rinite, quanto sistêmicas, como distúrbios de coagulação. Diante de uma história de repetição de epistaxes, o controle destes fatores é imprescindível para evitar a manutenção do quadro.

De toda forma, o cuidado com o nariz, para tratar ou evitar o sangramento, é o ponto de partida a ser tomado. Respirar em um ambiente com temperatura e umidade adequados (ATENÇÃO para o aquecimento global!), hidratar bem o corpo e, especificamente, o nariz e evitar traumas na região estão na primeira página da cartilha para evitar este transtorno. E, como sempre falo aos meus pacientes, caso mesmo assim a epistaxe aconteça, tenha calma, pois o nervosismo só aumenta o sangramento, incline a cabeça para frente, comprima o lado que estiver sangrando, coloque uma compressa gelada no rosto e, caso não pare em alguns minutos, procure avaliação de um otorrino que estaremos a postos para lhe amparar.

Máriton Borges – Otorrinolaringologista com subespecialidade em otoneurologia


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