
O secretário de Segurança Pública do Piauí (SSP-PI), Chico Lucas, comentou sobre o aumento dos casos de feminicídio no estado e afirmou que a situação é provocada por uma série de fatores, dentre eles a não aceitação do empoderamento das mulheres e a insegurança da figura masculina.
Manifestantes protestaram na tarde deste domingo (7) em Teresina-PI e Parnaíba-PI, no litoral do estado, contra a escalada de assassinatos de mulheres. Na tarde de sábado (6) – um dia antes das manifestações – o corpo da jovem Emilly Yassmyn Silva Oliveira, de 24 anos, foi encontrado carbonizado na região da Estrada da Alegria, zona Sul de Teresina.
Em entrevista à imprensa nesta segunda-feira (8), o secretário Chico Lucas se referiu aos crimes como “coisa abominável” e citou as ações desenvolvidas pelo Governo do Estado para coibir a prática criminosa no território piauiense.
“É uma coisa abominável e são violências cometidas por homens contra as mulheres. Nós estamos fazendo nosso trabalho no que diz respeito à rede de proteção, Secretaria das Mulheres, tem o ‘Ei, mermã, não se cale’. Mas isso é muito mais profundo. Eu acho que cabe uma reflexão principalmente por conta da violência, do aumento e principalmente da forma como essa violência está sendo praticada”, declarou.
Na avaliação do secretário, modificações no processo penal seriam fundamentações para reduzir as ocorrências de feminicídios no país e defendeu o endurecimento das penas no Brasil. Chico Lucas disse que acusados de matar mulheres não podem responder por seus delitos em liberdade.
“É uma reação desses homens inseguros, que não sabem lidar com mulheres cada vez mais fortes, empoderadas, mais conscientes dos seus direitos. Eles agem com violência para calá-las. A gente vai dizer que isso não vai ser permitido aqui no Piauí”, afirmou.
Os dados da Secretaria Estadual de Segurança confirmam 36 casos de feminicídios no Piauí, do dia 1º de janeiro a 7 de dezembro de 2025. De acordo com o Fórum Brasileiro de Segurança Pública, o Piauí teve aumento no número de feminicídios comparando os dados de 2023 e de 2024.
Segundo o relatório, a taxa de feminicídios por 100 mulheres no estado registrada em 2024 é de 2,3 e superou a taxa nacional, que é de 1,4. Em números absolutos, o Piauí passou de 28 mortes de mulheres em razão do gênero, em 2023, para 40, em 2024, um aumento de 42,86%.
De acordo com o secretário, houve um declínio dos indicadores em relação às mortes de mulheres. Entretanto, Chico Lucas reconheceu que o estado ainda está longe de atingir o patamar ideal para zerar os casos.
“No ano passado, nós tivemos um aumento nos feminicídios. Fizemos toda uma reflexão e neste ano, graças a Deus, está diminuindo, mas ainda longe do ideal. Há muitas mulheres morrendo por homens que não aceitam que elas tenham liberdade, autonomia e independência. A gente entende que tem que endurecer tanto as penas como o processo penal. Um homem que agride tem que estar preso. Ele não pode ficar solto, respondendo em liberdade”, concluiu.
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