9 de janeiro de 2026

Médico piauiense relata tensão durante ataque dos EUA à Venezuela: “vizinhos falavam que era o fim do mundo”

A ação militar resultou na prisão do presidente do país venezuelano, Nicolás Maduro, que estava no poder há 12 anos.
Repórter
Atualizado há 5 dias

Compartilhe:

Um médico piauiense, que preferiu não ser identificado, relatou os momentos de tensão vividos durante o ataque dos Estados Unidos à Venezuela, na madrugada deste sábado (3). A ação militar resultou na prisão do presidente do país venezuelano, Nicolás Maduro, que estava no poder há 12 anos.

O homem vive na Venezuela há seis anos e chegou ao país para cursar Medicina. Ele vive atualmente no estado de La Guaira, um dos alvos da operação norte-americana assim como os estados de Miranda e Aragua, além da capital Caracas. Em entrevista ao Portal ClubeNews, o piauiense disse que os bombardeios começaram por volta das 2h.

“Eu ainda estava acordado quando escutei três grandes explosões. A casa tremeu por completa, janelas, portas. Saímos todos para a rua sem entender o que acontecia. Todo mundo desesperado, mulheres com crianças saindo de um lado a outro”, contou.

Segundo a agência de notícia global, Associated Press, ao menos sete explosões foram ouvidas em Caracas em um intervalo de cerca de 30 minutos e o serviço de energia elétrica foi interrompido em parte da cidade.

O piauiense disse que o momento era de “muita ansiedade e desespero”. Moradores das regiões afetadas relataram tremores, barulho de aeronaves e correria nas ruas. 

“Depois desses primeiros bombardeios vieram outros mais. Ficamos sem saber o que fazer e sem ter para onde ir, pois ninguém sabia onde iam bombardear. Foi uma situação de muita ansiedade e desespero. Alguns vizinhos falavam que era o fim do mundo, pela situação tão horrorosa”, lamentou.

Os bombardeios, segundo o homem, duraram cerca de duas horas. Desde então, de acordo com ele, o clima é de apreensão entre os moradores locais.

Ninguém mais pode dormir. Todos estamos em estado de alerta. Tive que abrigar oito companheiros meus aqui na casa, pois eles não tinham onde se abrigar no momento”, relatou.

Momento atual

Mesmo após a situação, o piauiense disse que os serviços de abastecimento de água e distribuição de energia elétrica em La Guaira estão funcionando normalmente. No entanto, o transporte público está suspenso.

“Mercados estão fechados e os que estão abertos precisa-se fazer fila. Hoje tive que entrar em uma fila para poder comprar água. (Os preços) estão começando a subir, já estávamos sofrendo com o dólar a 300bs (Bolívares), mas pelo nível da situação os mercados que estão abertos subiram o preço dos alimentos”, disse.

Retorno ao Brasil

O homem contou que havia planejado retornar ao Brasil ainda neste mês de janeiro. Entretanto, com o espaço aéreo bloqueado e as fronteiras fechadas, o piauiense disse que as opções para retorno são escassas.

“Meus planos eram voltar para o Brasil antes do final de janeiro, mas já não sei como vou fazer. Todos fomos pegos de surpresa. A Venezuela atualmente conta com vários estrangeiros de vários países. Muitos desses são estudantes do ensino superior”, complementou.

Logo após o início da ofensiva norte-americana, o Governo da Venezuela publicou um comunicado afirmando que o país estava sob ataque. O presidente dos EUA, Donald Trump, acompanhou as ações militares e disse que irá comandar o processo de transição governamental do país venezuelano.

LEIA TAMBÉM:

Políticos do Piauí se manifestam sobre ataque dos Estados Unidos à Venezuela


📲 Siga o Portal ClubeNews no Instagram e no Facebook.

Envie sua sugestão de pauta para nosso WhatsApp e entre no nosso Canal.
Confira as últimas notícias: clique aqui! 

Leia também: