10 de janeiro de 2026

Flibanserina: o Viagra® feminino

Sexóloga
Atualizado há 1 dia

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Viagra feminino (Foto: g1)

A flibanserina é uma droga recém liberada nos Estados Unidos (EUA) para tratar o desejo sexual diminuído em mulheres menopausadas. Essa informação tem sido noticiada em um contexto de comemoração.  Até que enfim, a ciência descobriu o Viagra® feminino! Exageros de lado, vamos aos fatos!

Há duas décadas, a flibanserina foi desenvolvida para tratar depressão e falhou como antidepressivo. Durante os testes, houve aumento discreto no desejo e na satisfação sexual em mulheres na pré-menopausa. No entanto, aproximadamente 10% das usuárias apresentaram efeitos adversos desagradáveis como: náuseas, vômitos, boca seca, fadiga, vertigem, hipotensão postural e desmaio. Esses efeitos foram potencializados na interação com álcool, fluconazol, anticonvulsivantes e drogas para insônia como narcóticos e benzodiazepínicos.

Diante da discreta melhora do desejo sexual feminino e da potência dos efeitos adversos, a agência reguladora de drogas e alimentos nos EUA (FDA) negou a aprovação da flibanserina como medicamento para tratar o desejo sexual diminuído em duas ocasiões (2009 e 2013). A baixa efetividade e a falta de segurança da droga foram pontos cruciais para a impor a realização de novas pesquisas com número maior de participantes.

Nos anos seguintes, houve muita pressão social para a aprovação da flibanserina, baseado em questões de gênero. O argumento utilizado foi a falta de interesse da indústria farmacêutica em pesquisar drogas para o desejo sexual diminuído nas mulheres. Em 2015, a flibanserina foi finalmente aprovada para mulheres na pré menopausa. Mas o FDA impôs uma condição: a necessidade de gerenciamento dos riscos associados ao seu uso. No final de 2025, chegou a vez das mulheres menopausadas com menos de 65 anos de idade receberem o benefício dessa aprovação.

No entanto, os estudos realizados nos últimos 13 anos não evidenciaram resultados melhores do que os iniciais. O número de eventos sexuais satisfatórios com o uso da flibanserina permaneceu discreto. Os efeitos colaterais seguem sendo um desafio para quem se propõe a usar. O medicamento deve ser tomado à noite e não deve ser associado ao álcool e a outras drogas com ação hepática.

Apesar desse cenário desanimador, a flibanserina é a primeira droga não hormonal para tratar o desejo sexual feminino diminuído. Nos Estados Unidos, essa droga está indicada para mulheres na pré menopausa e pós menopausa (até 65 anos de idade), especialmente para aquelas com contraindicação para uso de hormônios. No Brasil, a flibanserina não pode ser prescrita, pois ainda não foi avaliada pela Anvisa.

Mas sabe por que os resultados da flibanserina são tão modestos diante dos efeitos colaterais? Porque o desejo sexual é multifacetado e envolve aspectos biológicos (hormônios e neurotransmissores), emocionais, de relacionamento e sociais. Então, depositar em um medicamento isolado a resolução de toda a complexidade do desejo sexual é um equívoco.

A comparação da flibanserina com o Viagra é outro equívoco. A flibanserina atua no cérebro para facilitar o desejo sexual. O ViagraÒ atua perifericamente, promovendo a ereção peniana quando há desejo sexual presente. Portanto, diante desses equívocos, a flibanserina não é o novo Viagra® feminino!

Dra. Andréa Rufino          
Médica CRM PI 2006
Ginecologista RQE 434
Sexóloga RQE 1484


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