
A tirzepatida (Mounjaro), usada no tratamento da obesidade e diabetes tipo 2, passou a ser estudada também na apneia obstrutiva do sono (AOS). Em pacientes com obesidade, a redução de peso pode diminuir a gravidade do distúrbio, já que o acúmulo de gordura cervical contribui para o colapso das vias aéreas durante o sono.
Um estudo recente mostrou que a tirzepatida reduziu o índice de apneia-hipopneia e melhorou medidas metabólicas e cardiovasculares. No entanto, o medicamento não substitui terapias consolidadas como CPAP, dispositivos orais ou cirurgias, e tampouco trata causas estruturais da AOS.
É importante lembrar que cerca de 25% dos pacientes com apneia não são obesos, e que o tratamento precisa ser individualizado. Depender apenas do remédio pode atrasar o diagnóstico adequado e aumentar o risco de complicações clínicas.
A medicação pode ser uma ferramenta útil em casos selecionados, mas sempre como parte de uma abordagem ampla em medicina do sono.
A tirzepatida não atua nos fatores que mantêm o comportamento do sono: horários inconsistentes, condicionamento do ambiente, ansiedade noturna, crenças disfuncionais e hábitos que sabotam o reparo fisiológico.
Esse ponto é relevante porque muitos pacientes acreditam que perder peso resolverá tudo. Quando veem que continuam acordando cansados, frustram-se e abandonam o tratamento. A psicologia do sono trabalha justamente na adesão terapêutica, na regulação de ritmo e na mudança de hábitos que sustentam o resultado no longo prazo.
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