Um casal proprietário de um brechó de luxo em São Paulo é investigado por aplicar golpes em clientes, incluindo pelo menos três vítimas no Piauí. A vítima que formalizou a denúncia mora no estado piauiense, e, após o registro do caso, os suspeitos passaram a ser alvo de investigação pelas polícias civis do Piauí e de São Paulo.
A denúncia ganhou repercussão no domingo (1) com uma reportagem do Fantástico, da Rede Globo. O programa revelou que o casal Francine Costa Prado e Filipe Prado dos Santos, do Desapego Legal, deixou um rastro de prejuízos milionários, acumulando reclamações e processos em diversos estados.
Nesta semana, ambos foram presos em uma mansão em São José dos Campos, no interior de São Paulo, onde o brechó funcionava informalmente. A dupla vendia principalmente bolsas de grife pelas redes sociais e, segundo a polícia, seguia enganando compradores mesmo após a empresa entrar em recuperação judicial.
Denúncia do Piauí desencadeou prisões
Segundo o delegado Humberto Mácola, do Departamento de Repressão aos Crimes Cibernéticos do Piauí, os primeiros registros feitos no Piauí ocorreram entre novembro e dezembro de 2024.
Em Bom Jesus, uma mulher que já havia negociado produtos com o brechó voltou a vender uma bolsa de R$ 35 mil, mas nunca recebeu o valor, embora o item tenha sido repassado a outra compradora.
No mesmo período, em Uruçuí, outra vítima vendeu uma bolsa de R$ 15 mil ao Desapego Legal, que novamente revendeu o item e não fez o repasse devido.
A terceira denúncia, feita entre agosto e setembro de 2025, foi justamente a que acabou revelada no Fantástico no último domingo (1º) e acelerou as investigações.
Essa última vítima, moradora de Teresina, procurou a polícia após perder cerca de R$ 8 mil na compra de uma bolsa que nunca recebeu. Por segurança, pediu para não ser identificada.
“Efetivei a compra no valor de R$ 8 mil, com promessa de envio em um dia. Quando fui cobrar o código de rastreio, começaram as desculpas. Acionei meu advogado, enviamos uma notificação, e ela respondeu que eu podia processar”, relatou.
Após a cobrança judicial, o brechó publicou uma nota dizendo que “não tinha autorização legal para fazer entregas”, embora continuasse vendendo normalmente pelas redes sociais.

Com a nova denúncia, a Polícia Civil intensificou as investigações, conectou os casos e conseguiu reunir elementos suficientes para pedir a prisão do casal.
O delegado reforça ainda que os bens dos investigados foram bloqueados pela Justiça, o que pode permitir que as vítimas recuperem parte do prejuízo. “Os valores nas contas podem ser repassados às vítimas. Basta que elas solicitem ao juiz, via advogado, para receber como terceiros de boa-fé.”

Delegado classifica caso como organização criminosa
Segundo Humberto Mácola, a intenção de enganar os clientes em potencial ficou evidente. “A gente percebeu que era patente a intenção em enganar pessoas. Nós caracterizamos isso como uma organização criminosa justamente pela questão da empresa para o cometimento de crimes.”
O Fantástico teve acesso aos depoimentos dos dois. Filipe, que aparece como único proprietário da empresa, atribuiu o colapso financeiro a uma “queda nas vendas” e ao impacto da alta do dólar no início de 2024. Disse ainda que a recuperação judicial seria uma tentativa de pagar as dívidas. Francine se identificou como gerente comercial do brechó.

Além do casal, a polícia prendeu Ana Cristina Barbosa da Silva, madrasta de Francine, que trabalhava com os dois nas atividades do Desapego Legal. Todos foram levados para a Cadeia Pública de Caçapava (SP).
Inquéritos policiais
A Secretaria de Segurança Pública de São Paulo informou que nove inquéritos foram abertos na região, sede do brechó. Parte dos casos foi encerrada após acordos, mas outros seguem tramitando na Justiça. Os credores estimam que a dívida acumulada pelo Desapego Legal chega a quase R$ 20 milhões.
Mesmo com processos, reclamações e a recuperação judicial, Francine mantinha o perfil do brechó ativo, anunciando e vendendo bolsas. Para muitas vítimas, a prisão traz alívio, mas também revolta. “O meu sentimento é de revolta, porque ela continuava aplicando golpes e usando as redes sociais normalmente”, disse uma delas.
“Sempre fica a recomendação: cheque antes de realizar qualquer tipo de transação financeira, qualquer pagamento, compras de produtos. Cheque a reputação, veja o que a internet fala a respeito daquilo”, afirma Humberto Mácola, delegado da Polícia Civil – PI.
A Polícia Civil segue investigando possíveis novas vítimas no Piauí e em outros estados.

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