Ao Portal ClubeNews, populares denunciaram que as quedas têm sido frequentes na Ponte Metálica, principalmente após as intervenções realizadas ao longo de 2025. Segundo relatos, o piso teria ficado mais liso após a revitalização, o que aumenta o risco para motociclistas, ciclistas e até pedestres.
A Perícia da Polícia Civil do Maranhão esteve no local e informou que irá investigar o material utilizado no revestimento do piso da ponte. De acordo com o perito Adeilton Pereira, a tinta aplicada será analisada para verificar se contribui para a perda de aderência dos veículos.
“Se ela facilitar o deslizamento, isso faz com que haja perda de aderência. Então isso tem que ser averiguado, se de fato, ao chover, ocorre essa perda de aderência e, consequentemente, acidentes. A perícia vai fazer todos os laudos, com a dinâmica, para entender o que de fato aconteceu”, destacou o perito.
Populares também apontaram que o problema não afeta apenas veículos. Um homem que passava pelo local afirmou que a tinta utilizada no piso é inadequada e que até pedestres já sofreram escorregões.
“Esse serviço parece estar mal feito. Nunca vi ponte com esse tipo de tinta, principalmente em um local com grande tráfego de bicicletas e motos. Até de chinelo nessa ponte se desliza. Infelizmente, essas quedas não vão parar, esse piso é muito liso. A gente não vê isso, por exemplo, na ponte da Frei Serafim”, relatou.
Quem trabalha diariamente na região reforça as denúncias. O trabalhador autônomo Adeílson Rodrigues, que atua na área da Ponte Metálica, afirmou que os acidentes são constantes.
“Eu trabalho aqui todos os dias e, todos os dias, pelo menos cinco pessoas caem. Quando fizeram as intervenções, a gente pensou que ia melhorar, que as quedas iam parar, mas não. A única mudança foi essa pintura no chão. Esse piso e esses trilhos são muito perigosos. Todo dia tem queda, mesmo com cuidado. A situação é totalmente inadequada. Infelizmente, a queda de hoje foi trágica, mas alguma coisa precisa ser feita”, desabafou.
Ponte metálica após intervenções. (Foto: Luana Fontenele / Portal ClubeNews)
Análise do CREA
Em entrevista ao Portal ClubeNews, o engenheiro civil Cleitmã Oliveira, membro da comissão de Grandes Estruturas do CREA-PI, explicou que o tabuleiro da Ponte Metálica passou por um processo de revitalização por meio de pintura, com material especificado pela concessionária Ferrovia Transnordestina Logística (FTL).
Ele ressaltou que a atuação do CREA-PI esteve voltada para a estabilidade estrutural da ponte, especialmente em relação ao desgaste das estacas de fundação.
Sobre os riscos em dias chuvosos, o engenheiro alertou que a presença de água reduz a aderência em qualquer tipo de pavimento e que, na Ponte Metálica, a situação é agravada pelos trilhos metálicos.
“O trilho é metálico, muito liso, e o contato direto do pneu com ele pode facilitar a perda de aderência, principalmente com o pavimento molhado”, destacou o engenheiro.
Cleitmã acrescentou ainda que o estado dos pneus também influencia nos acidentes, mas reforçou que se trata de um fator complementar. “Pneus muito desgastados, sem sulcos, dificultam o escoamento da água e contribuem para a perda de aderência. Pode ser um conjunto de fatores, não apenas o pavimento”, completou.
Intervenções ao longo de 2025
Ao longo de 2025, a Ponte Metálica João Luís Ferreira passou por diversas intervenções. Em setembro, a concessionária Ferrovia Transnordestina Logística (FTL) informou ao Conselho Regional de Engenharia e Agronomia do Piauí (CREA-PI) e às prefeituras de Teresina e Timon que a ponte seria interditada por 30 dias para início das obras de recuperação e manutenção.
A estrutura, que tem mais de 80 anos, apresentou falhas estruturais, especialmente na pilastra número três, conforme inspeção do CREA-PI.
Os trabalhos foram divididos em duas fases. Entre os serviços previstos estavam a recuperação do tabuleiro, lajes, fixadores dos trilhos e passarelas laterais.
Ponte metálica liga Teresina (PI) a Timon (MA). (Foto: Luana Fontenele / Portal ClubeNews)
A última intervenção na ponte foi no dia 24 de dezembro, quando ela teve o tráfego liberado após reparos no tabuleiro viário, após danos causados pelo desrespeito à sinalização, e atraso na conclusão dos serviços.
A reportagem entrou em contato com a Ferrovia Transnordestina Logística (FTL), responsável pela ponte, para esclarecer qual material foi utilizado no revestimento do piso e quais intervenções foram realizadas especificamente nessa etapa. Até o fechamento desta matéria, não houve resposta. O espaço segue em aberto.