O Sindicato dos Médicos do Estado do Piauí (Simepi) se manifestou após o assassinato de Pedro Araújo da Silva, de 29 anos, encontrado morto dentro de um banheiro do Hospital Areolino de Abreu, na madrugada desta quinta-feira (26).
O vice-presidente do Simepi, Samuel Rêgo, criticou a reestruturação da rede de psiquiatria do estado, afirmando que foi realizada de forma desorganizada e sem planejamento técnico. Ele relatou ao jornalista Marcelo Magno que um dos problemas é a divisão entre pacientes oriundos do sistema penitenciário e aqueles admitidos diretamente pelo hospital.
“O sistema penitenciário tem feito algo que, a meu ver, é muito perigoso: decisões tomadas por magistrados que não têm conhecimento técnico na área de saúde mental. Muitas internações que são feitas sequer deveriam ocorrer”, afirmou.
Segundo o médico, das 160 vagas disponíveis no Hospital Areolino de Abreu, metade poderia receber alta, mas os pacientes permanecem internados por falta de decisão judicial.
Samuel também destaca que há internações involuntárias muitas vezes sem indicação técnica adequada e, quando há necessidade de alta, ela não ocorre devido à morosidade da Justiça. Para ele, o modelo adotado pelo Conselho Nacional de Justiça tornou-se insustentável.
Atualmente, pacientes psiquiátricos internados de forma direta e aqueles encaminhados por determinação judicial permanecem na mesma ala. “A estrutura é péssima e cria um ambiente perigoso”, afirmou.
“Soube, inclusive, que há pacientes do sistema prisional que chegam a pular o muro de madrugada, vão à rua, acessam drogas e retornam para dentro da instituição”, completou.
Infraestrutura

De acordo com Samuel Rêgo, o hospital funciona com estrutura extremamente precária, pois não recebe recursos suficientes do Estado.
Ainda segundo o vice-presidente, 25 profissionais foram desligados entre 2009 e 2026, o que afeta diretamente a capacidade de atendimento. Apesar disso, apenas três vagas para psiquiatras foram abertas em concurso público no estado, número considerado insuficiente para suprir a demanda.
Ele também destaca outro problema: a falta de medicamentos para os pacientes atendidos na unidade.
Entenda o caso

O paciente Pedro Araujo da Silva, de 29 anos, foi assassinado, na madrugada desta quinta-feira (26), no Hospital Areolino de Abreu, localizado na zona Norte de Teresina. A vítima recebeu alta médica na quarta-feira (25), mas iria deixar a unidade nesta quinta-feira (26).
O delegado Genival Vilela, do DHPP, relatou que a vítima foi encontrada morta dentro de um banheiro por um funcionário ao perceber um incêndio no local.
O delegado Genival Vilela, do Departamento de Homicídio e Proteção à Pessoa (DHPP), afirmou que um dos suspeitos de matar o paciente Pedro Araújo confessou o crime e disse que o mataria novamente.
O suspeito e outro possível envolvido no crime são pacientes do mesmo hospital e foram encaminhados à sede do DHPP para esclarecimentos.

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