20 de março de 2026

Quando o visual desequilibra: estímulos visuais e tontura

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Vertigem, sensação de quase queda, desequilíbrio, confusão visual, náuseas e até vômitos podem ser queixas frequentes de pessoas com tontura por gatilho visual. Mal estar durante grandes viagens de carro, principalmente quando sentado no banco de trás, tontura após mudança de ambiente com diferente iluminação e vertigem não rotatória em ambientes abertos com muita informação visual, como praças movimentadas, fazem parte deste grupo de tontura com gatilho específico. Você já sentiu isso? Sabe por que acontece?

Para o controle do equilíbrio, o cérebro recebe informações de três grandes sistemas: a visão, a propriocepção e o sistema vestibular. A visão informa sobre posição e distâncias do corpo em relação a outros corpos e ao ambiente. A propriocepção é a capacidade de identificar a posição de partes do corpo em relação a si mesmo e em relação ao meio sem ajuda da visão. A propriocepção que faz você saber como está sua cabeça em relação ao pescoço e ao tórax mesmo que você não consiga olhar diretamente para ela. E o sistema vestibular informa sobre movimentos com aceleração, seja esta linear ou angular. Por exemplo, o sistema vestibular é ativado durante aumento ou diminuição de velocidade quando estamos em um carro andando em linha reta (aceleração linear) ou simplesmente quando viramos a cabeça para os lados ao atravessar a rua (aceleração angular). Diante disso, qualquer perturbação no funcionamento destes três sistemas pode se apresentar com distúrbios do equilíbrio.

Clinicamente percebe-se que algumas pessoas têm uma sensibilidade maior aos estímulos visuais e até mesmo uma supervalorização das informações visuais (preferência visual) em detrimento das informações proprioceptivas e vestibulares. Em outras palavras, nestas pessoas, a informação visual passa a ter maior peso no processamento pelo sistema nervoso central em relação aos sinais vestibulares e proprioceptivos. E é justamente quem nasceu com esta predisposição e apresentou reforço dessa característica durante a vida que apresenta as queixas ditas no início do texto. As informações visuais ganham importância muito além do necessário a ponto de que essa supervalorização passe a ser danosa gerando sintomas. Nestes casos, ambientes com muita informação visual, como grandes áreas abertas com grande movimento ou corredores de supermercados, mudança de ambiente com diferença de iluminação entre eles e mudança constante da paisagem durante viagem como passageiro de carro ou ônibus são gatilhos que devem sempre ser investigados

No mundo da otoneurologia, mais especificamente na parte dos distúrbios do equilíbrio, o desafio inicial é identificar a origem da queixa do paciente para que seja possível abrir as portas do seu tratamento. Para isso, é imprescindível saber coletar todas as minúcias de como o paciente se sente. Neste caminho, muitas vezes precisamos conduzir de maneira precisa um questionário objetivo para captar todas informações necessárias, sendo a pesquisa de gatilhos para aquele sintoma uma das prioridades. E, dependendo de como a história se apresenta, pode ser muito importante investigar especificamente os gatilhos visuais uma vez que a abordagem terapêutica completa do paciente pode requerer intervenção neste ponto específico.

Máriton Borges – Otorrinolaringologista com subespecialidade em otoneurologia


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