
Uma enfermeira do Hospital Estadual Dirceu Arcoverde (Heda) registrou um Boletim de Ocorrência contra um médico por assédio sexual dentro da unidade de saúde. No depoimento, prestado à Delegacia Especializada no Atendimento à Mulher, a vítima detalhou uma série de importunação.
A direção do Heda informou ter recebido a denúncia envolvendo suposto caso de assédio moral e sexual no âmbito da unidade e tratou a situação com a devida prioridade desde o primeiro momento. Acrescentou também que medidas cabíveis serão adotadas a partir da conclusão da apuração. (Confira a nota na íntegra no fim da reportagem)
Segundo a enfermeira, o assédio teve início no começo de março de 2026. O médico teria passado a dizer comentários inapropriados, como “vamos ali fumar, curtir a ‘bixa’ a dois”, ignorando os pedidos de respeito da profissional, que é casada e mãe. Diante da situação, a enfermeira chegou a solicitar o remanejamento de setor para evitar o contato com o suspeito.
O episódio mais grave, contudo, ocorreu na madrugada de 28 de março. A enfermeira relatou que, por volta das 4h50, enquanto utilizava uma máquina de xerox, foi abordada por trás pelo médico, que teria encostado seu órgão genital nas nádegas da vítima. Na ocasião, ele também teria segurado a mão da enfermeira à força para impedi-la de tirar cópias de um prontuário médico.
Manipulação de prontuários e chantagem
A denúncia aponta ainda uma tentativa de falsificação de documentos e coação. De acordo com o depoimento, o médico teria inserido informações falsas no prontuário eletrônico de um paciente, alegando que a enfermeira não estaria prestando a assistência adequada, com a nítida intenção de prejudicá-la profissionalmente.
No momento do contato físico forçado na sala de xerox, o médico teria perguntado “o que ele ganharia” em troca de modificar as avaliações negativas que havia escrito sobre ela no sistema. A enfermeira conseguiu se desvencilhar e comunicou o fato imediatamente à coordenação e à psicologia do hospital.
Demissão e recontratação
O caso ganhou contornos ainda mais dramáticos no dia 31 de março, quando enfermeira foi convocada ao RH e informada de sua demissão. A justificativa apresentada foi uma suposta escala de serviços preenchida, argumento que a enfermeira contestou, visto que seu nome já constava na escala do mês seguinte.
A rescisão do contrato, que já durava 10 meses, ocorreu “coincidentemente” logo após os relatos de assédio. No entanto, após a intervenção do diretor do hospital, a demissão foi revertida no mesmo dia, e um novo aditivo contratual de 180 dias foi assinado.
Ao Portal ClubeNews, a enfermeira contou que atua na área há 12 anos e trabalha no Heda há 7 anos. Ela afirmou que não registrou a má conduta profissional junto ao Conselho Regional de Enfermagem do Piauí (Coren-PI) e deseja apenas continuar desempenhando suas funções com dignidade. O caso segue sob investigação das autoridades policiais de Parnaíba.
No dia seguinte, ela registrou um boletim de ocorrência e enviou uma cópia ao Conselho Regional de Medicina do Estado do Piauí (CRM-PI). O caso segue sob investigação pela Delegacia Especializada no Atendimento à Mulher.
“Eu não sei o que vai acontecer. Tenho medo de ter o meu trabalho prejudicado”, declarou a vítima.
Nota do Coren-PI
O Conselho Regional de Enfermagem do Piauí (Coren-PI) manifestou seu veemente repúdio a qualquer forma de assédio no âmbito do exercício profissional da enfermagem.
Nota CRM-PI
O Conselho Regional de Medicina do Piauí (CRM-PI) informou que a denúncia precisa ser protocolada na entidade, que encontra-se de recesso.
O CRM-PI ressaltou que não repassa informações de casos em investigação na Corregedoria, por sigilo imposto por lei.
Nota do Heda
O Hospital Estadual Dirceu Arcoverde (HEDA) recebeu a denúncia envolvendo suposto caso de assédio
moral e sexual no âmbito da unidade e tratou a situação com a devida prioridade desde o primeiro
momento.
Em conformidade com os fluxos institucionais já estabelecidos, o caso foi imediatamente encaminhado ao
Comitê de Ética, que conduz a apuração com responsabilidade, imparcialidade e respeito ao devido
processo legal. Todas as partes envolvidas estão sendo ouvidas, incluindo testemunhas, para o completo
esclarecimento dos fatos.
Por se tratar de um processo em andamento, as informações são conduzidas sob sigilo, conforme a
legislação vigente, garantindo a proteção das pessoas envolvidas e a adequada apuração.
O HEDA reafirma que situações dessa natureza são tratadas com seriedade e responsabilidade, e que não
são compatíveis com o ambiente de trabalho que a instituição preza. Seguimos comprometidos com a
promoção de um espaço seguro, ético e respeitoso para todos.
As medidas cabíveis serão adotadas a partir da conclusão da apuração.
Assessoria de Comunicação
Hospital Estadual Dirceu Arcoverde (HEDA)
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