29 de abril de 2026

Aluna da UFPI tranca curso por falta de segurança após denunciar violência sexual; suspeito também é estudante

Entidades afirmam que vítima se afastou da universidade por medo enquanto suposto agressor segue frequentando as aulas

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O Movimento de Mulheres Olga Benário e a Rede Janaína Silva, que atuam no acolhimento de mulheres vítimas de violência no Piauí, denunciaram um caso de violência física, psicológica e sexual envolvendo uma estudante da Universidade Federal do Piauí (UFPI). Segundo as entidades, além da violência sofrida, a vítima foi obrigada a trancar o curso por falta de garantias para o cumprimento de uma medida protetiva dentro do espaço universitário.

De acordo com a nota divulgada, a estudante registrou boletim de ocorrência, realizou exame pericial, que confirmou a conjunção carnal, e obteve uma medida protetiva de urgência contra o suposto agressor, que também é estudante da UFPI.

No entanto, conforme os movimentos denunciam, a universidade não dispõe atualmente de mecanismos eficazes que assegurem o cumprimento dessas medidas em seus campi.

Como consequência, a vítima teria se afastado da instituição por medo, interrompendo suas atividades acadêmicas e sofrendo prejuízos diretos à sua formação, enquanto o estudante denunciado permanece frequentando normalmente a universidade.

Na manhã desta quarta-feira (29), o estudante foi confrontado por integrantes do Movimento Olga Benário na praça de alimentação do Centro de Ciências da Educação (CCE) da UFPI.

Durante o ato, estudantes abordaram o homem com gritos de guerra, solicitando que ele se retirasse do local, como forma de protesto e denúncia.

O CRIME

A denúncia aponta que o caso está sendo investigado com o estupro de vulnerável, uma vez que, conforme material divulgado pelo movimento, há registros de conversa em que a vítima relata que estava bêbada no momento da relação sexual.

Conversa com vítima com o investigado. (Foto: reprodução)

As entidades afirmam ainda que o conteúdo divulgado inclui documentos oficiais, como laudo pericial, boletim de ocorrência e decisão judicial que concede a medida protetiva.

Na avaliação das entidades, o caso evidencia uma falha estrutural nas universidades, que, segundo elas, ainda não contam com políticas institucionais eficazes para garantir a segurança de estudantes mulheres que obtêm medidas protetivas judiciais.

Estudante fez boletim de ocorrência, exame pericial e recebeu medida protetiva. (Foto: montagem/ Reprodução)

A reportagem procurou o suspeito, mas até o momento não obtivemos retorno. O espaço permanece aberto para defesa do estudante.

Por meio de nota a UFPI informou que está adotando todas as medidas necessárias e prestando apoio à vítima. Confira na íntegra:

“A Universidade Federal do Piauí (UFPI) informa que recebeu, por meio de seus canais oficiais de ouvidoria, denúncia formal registrada em 16 de março de 2026, referente a ocorrência de violência física e sexual envolvendo integrantes da comunidade acadêmica.

Desde o momento em que tomou conhecimento dos fatos, a Universidade adotou providências imediatas. A pessoa denunciante está sendo acompanhada por equipe multiprofissional, com suporte psicológico e social, por meio da rede institucional de acolhimento. Paralelamente, toda a documentação foi encaminhada às instâncias competentes para análise e adoção das medidas administrativas cabíveis, incluindo a abertura de processo disciplinar e a implementação de medidas cautelares necessárias à proteção da comunidade acadêmica.

A UFPI reafirma seu compromisso com a integridade, a dignidade e a segurança de todas as pessoas que compõem sua comunidade. A instituição repudia, de forma veemente, qualquer tipo de violência e informa que está colaborando integralmente com as autoridades responsáveis pela apuração do caso.

Por respeito à legislação vigente e à proteção das partes envolvidas, as identidades serão mantidas em absoluto sigilo.

A Universidade seguirá adotando todas as medidas necessárias, com responsabilidade, rigor institucional e compromisso com a justiça.”


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