
A atualização da Norma Regulamentadora nº 1 (NR‑1) passa a valer a partir desta terça-feira (26) e traz uma mudança importante na relação entre empresas e trabalhadores: a saúde mental passa a ser tratada oficialmente como um risco ocupacional que precisa ser gerenciado.
A medida, anunciada pelo Ministério do Trabalho e Emprego (MTE), amplia a responsabilidade das empresas e reforça a possibilidade de fiscalização e aplicação de multas em caso de descumprimento.
O que muda na prática
A principal novidade da nova NR‑1 é a inclusão dos chamados riscos psicossociais no Programa de Gerenciamento de Riscos (PGR), que já considerava fatores físicos, químicos e biológicos.
Na prática, entram no radar situações como:
- Metas abusivas
- Jornadas excessivas
- Pressão constante por resultados
- Assédio moral ou sexual
- Conflitos no ambiente de trabalho
- Falta de autonomia e falhas na gestão
Ou seja, não é mais só o ambiente físico que importa, mas também a forma como o trabalho é organizado.
O que as empresas terão que fazer
Com a nova regra, as empresas passam a ser obrigadas a:
- Identificar riscos à saúde mental no ambiente de trabalho
- Registrar essas informações no PGR
- Criar planos de ação para reduzir ou eliminar os problemas
- Acompanhar e revisar continuamente as medidas adotadas
Na prática, isso pode envolver:
- Revisão de metas e prazos
- Mudança na organização das jornadas
- Treinamento de lideranças
- Criação ou fortalecimento de canais de denúncia
- Políticas claras contra assédio
Especialistas reforçam que não basta oferecer benefícios como terapia ou programas de bem-estar. A exigência é mudar a dinâmica do trabalho que causa adoecimento.
Como será a fiscalização
A fiscalização ficará a cargo dos auditores do trabalho, que já podem entrar nas empresas sem autorização judicial. Agora, além de equipamentos e segurança física, eles vão avaliar:
- Organização do trabalho
- Relação entre chefias e funcionários
- Cobrança por metas
- Jornada de trabalho
- Documentos como o PGR
A inspeção pode ocorrer por:
- Denúncias de trabalhadores
- Dados de afastamentos por doenças mentais
- Ações de rotina da fiscalização
Importante: não é preciso haver um trabalhador afastado para que a empresa seja cobrada. O foco passa a ser a prevenção.
Empresas podem ser multadas?
Sim. As multas podem ocorrer se a empresa:
- Não identificar os riscos
- Identificar, mas não agir
- Implementar medidas insuficientes
- Não monitorar os problemas
Os valores seguem as regras gerais e variam conforme o porte e a gravidade, podendo ir de R$ 416 a mais de R$ 6,9 mil.
Apesar disso, o Ministério do Trabalho informou que, nos primeiros 90 dias, a fiscalização deve priorizar orientação e adaptação das empresas.
O que muda para os trabalhadores
A nova NR‑1 também fortalece os direitos dos trabalhadores. A partir de agora:
- Fica mais claro que saúde mental é uma questão de trabalho
- Há mais respaldo para denunciar pressão excessiva e assédio
- Fica mais fácil relacionar adoecimento mental ao ambiente profissional
Na prática, situações que antes eram tratadas como problema individual passam a ser reconhecidas como consequência da forma como o trabalho é organizado.
A atualização da norma acontece em meio ao aumento dos casos de adoecimento mental no país. Dados recentes apontam que o Brasil registrou recorde de afastamentos por transtornos mentais, com mais de meio milhão de licenças em 2025.
Com informações do G1
Envie sua sugestão de pauta para nosso WhatsApp e entre no nosso Canal.
Confira as últimas notícias: clique aqui!
