O caso do cachorro Bob que foi baleado, na zona rural de Timon (MA), é investigado pela Polícia Civil do Maranhão após o animal sofrer ferimentos gravíssimos provocados por um disparo de arma de fogo. Devido à gravidade das lesões, ele precisou ser submetido à eutanásia.
O tutor, Ageu Alves de Carvalho, estudante de Medicina Veterinária, afirma que o cachorro, que tinha três anos, já havia sido alvo de outro ataque e aponta como principal suspeito um policial aposentado que tem um sítio na região.
Segundo o tutor, o animal também teve a mandíbula quebrada e a língua dilacerada. De acordo com Ageu, Bob foi atingido por um disparo de arma de fogo no dia 15 de julho. O animal desapareceu após o tiro e só reapareceu na manhã seguinte, gravemente ferido.
“A primeira vez que aconteceu com ele foi no ano passado. O tiro pegou de raspão e a gente conseguiu tratar em casa. Dessa vez, por volta das seis horas da manhã, o pessoal daqui ouviu o disparo e o grito de dor do cachorro. Pouco tempo depois, o suspeito passou de carro pelo local e foi embora”, relatou Ageu.
Após encontrar o animal, o tutor levou Bob para atendimento veterinário em Teresina (PI) e procurou o 2º Distrito Policial de Timon para registrar a ocorrência.
De acordo com o relatório médico enviado ao Portal ClubeNews, o quadro clínico do animal era extremamente grave.

Exames apontaram que o projétil entrou pela lateral direita da mandíbula e ficou alojado na região maxilomandibular esquerda. A avaliação identificou fratura bilateral da mandíbula, extensa laceração da língua, lesão no palato mole e múltiplos danos nos tecidos da cavidade oral.
Além dos ferimentos provocados pelo disparo, Bob apresentava anemia, trombocitopenia, leucocitose e sinais de intenso sofrimento.
“Quebrou a mandíbula dos dois lados e lacerou a língua. O projétil ficou alojado na região da mandíbula. Quando fui ao ortopedista, ele explicou que seria uma cirurgia extremamente complexa e que o prognóstico era reservado a ruim”, contou Ageu.
Segundo o relatório veterinário, as lesões foram classificadas como resultado de um trauma de alta energia, com comprometimento severo das estruturas ósseas e dos tecidos moles.

EUTÁNASIA FOI RECOMENDADA
Diante da gravidade dos ferimentos e das poucas chances de recuperação funcional, os profissionais discutiram as possibilidades de tratamento com o tutor.
O relatório informa que os procedimentos necessários seriam complexos, exigiriam longo período de recuperação e ainda apresentariam prognóstico desfavorável.
Considerando o intenso sofrimento do animal, os veterinários recomendaram a realização da eutanásia humanitária.
“Acabou sendo optado pela eutanásia para preservar o bem-estar dele e evitar mais sofrimento”, disse Ageu.
Antes do procedimento, o tutor também procurou a Delegacia de Proteção ao Meio Ambiente, em Teresina, para registrar uma nova ocorrência e solicitar o encaminhamento do corpo para perícia.
O corpo de Bob foi entregue para análise da Polícia Civil, e a família agora aguarda a emissão do laudo pericial.

HISTÓRICO DE MAUS-TRATOS
Uma moradora da região, que preferiu não ser identificada, afirmou que o homem apontado pelo tutor já teria histórico de violência contra animais. Segundo ela, diversos moradores já tiveram problemas semelhantes.
“Ele maltratava os meus bichos. Uma vez matou cinco frangos meus e chegou a deixar uma galinha espetada na cerca. As cachorras pariam e, segundo os moradores, ele colocava os filhotes em sacos e jogava no riacho”, relatou.
As acusações devem apuradas pelas autoridades durante a investigação.
INVESTIGAÇÃO
Enquanto aguarda o resultado da perícia, Ageu espera que o caso seja esclarecido. “Até agora não recebi nenhum laudo nem nenhuma resposta sobre a perícia. Estou aguardando o resultado para que a investigação avance”, afirmou.
A reportagem entrou em contato com a Delegacia Regional da Polícia Civil de Timon que informou que o caso está com inquérito instaurado no 2º Distrito Policial da cidade. Buscamos o DP para saber como está o caso, bem como a Delegacia De Proteção Ao Meio Ambiente de Teresina, mas não obtivemos retorno até a publicação.
O espaço segue aberto, assim como para a defesa do suspeito.
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