25 de julho de 2026

Férias: o que as crianças mais precisam não cabe em uma mala

E existe algo muito bonito nisso: a infância não mede o amor pelo valor do passeio.

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Família (Foto: Pixabay)

As férias chegam e, com elas, uma pergunta que muitos pais fazem em silêncio: “O que eu posso proporcionar ao meu filho?”

Para algumas famílias, esse período significa viajar, conhecer lugares novos, visitar praias, parques, hotéis, fazer passeios e viver experiências que, muitas vezes, não cabem na rotina do restante do ano. Para outras, as férias acontecem dentro de casa, no bairro, na casa dos avós ou em pequenos passeios pela cidade.

E existe algo muito bonito nisso: a infância não mede o amor pelo valor do passeio.

Uma criança pode se lembrar de uma viagem incrível, de um lugar especial, de um parque que conheceu. Mas também pode guardar para sempre na memória o dia em que o pai sentou no chão para brincar com ela, a mãe fez um bolo e deixou que ela ajudasse, a tarde em que todos foram tomar sorvete, a cabana improvisada na sala ou aquela noite em que a família ficou acordada contando histórias e rindo.

Porque, no fim, as melhores lembranças da infância nem sempre estão nos lugares que visitamos. Muitas vezes, estão nas pessoas que estavam conosco.

As férias representam uma oportunidade preciosa de desacelerar. Durante o ano, a rotina das crianças é marcada por horários, tarefas, escola, terapias, compromissos e atividades. Os pais, por sua vez, vivem uma rotina igualmente intensa, divididos entre trabalho, responsabilidades e tantas outras demandas.

Quando chegam as férias, existe a possibilidade de olhar novamente para aquilo que, na correria, muitas vezes fica em segundo plano: o tempo de qualidade em família.

Não se trata de estar disponível o tempo todo, nem de abandonar todas as responsabilidades. Trata-se de estar verdadeiramente presente em alguns momentos.

Uma criança não precisa de pais perfeitos. Ela precisa de pais disponíveis para olhar nos olhos, ouvir suas histórias, entrar em seu mundo e brincar.

E brincar é uma das formas mais bonitas de dizer: “Eu quero estar aqui com você.”

Para as famílias que podem viajar e investir em experiências, que essas oportunidades sejam vividas com presença. Que uma viagem não seja apenas uma sequência de fotografias para guardar no celular, mas uma coleção de momentos para guardar no coração. Que os pais estejam presentes para observar a descoberta de um lugar novo, ouvir as perguntas, acolher o cansaço, rir juntos e transformar cada experiência em memória afetiva.

Mas, para quem não pode viajar, as férias também podem ser extraordinárias.

É possível transformar a sala em um acampamento. Fazer um piquenique no quintal ou em uma praça. Resgatar brincadeiras da infância dos próprios pais. Jogar bola, andar de bicicleta, brincar de amarelinha, desenhar, pintar, cozinhar juntos, visitar a biblioteca, conhecer um parque público, tomar banho de mangueira, fazer uma sessão de cinema em casa.

Pode-se criar um “dia do sim”, em que a criança escolhe uma brincadeira. Pode-se fazer um pote de memórias, colocando pequenos papéis com os momentos especiais vividos durante as férias. Pode-se visitar os avós, ouvir histórias da família, olhar fotografias antigas e descobrir de onde vieram os nomes, as tradições e as histórias que fazem parte daquela família.

Tudo isso custa pouco ou, muitas vezes, não custa nada.

Mas pode valer muito.

Porque a criança não precisa de uma infância instagramável. Ela precisa de uma infância vivida.

Precisa de tempo para brincar sem pressa. Precisa de espaço para imaginar. Precisa experimentar o tédio, criar brincadeiras, inventar histórias e descobrir que nem todo momento precisa ser preenchido por uma tela ou por uma atividade programada.

E, principalmente, precisa sentir que pertence a algum lugar.

As memórias afetivas são construídas nos pequenos detalhes. Na comida preparada juntos. No abraço antes de dormir. Na risada inesperada. Na história repetida tantas vezes. No colo depois de um tombo. Na brincadeira que os pais fingiram não saber jogar para deixar a criança ganhar.

É nesses momentos aparentemente simples que a criança constrói uma narrativa interna sobre si mesma e sobre o mundo: “Eu sou importante. Eu sou amado. Eu tenho com quem contar.”

Por isso, talvez a pergunta mais importante para estas férias não seja “Para onde vamos?”, mas:

“Que memória queremos construir juntos?”

Talvez, daqui a alguns anos, seu filho não se lembre exatamente de quanto custou aquela viagem. Talvez não se lembre do restaurante, do hotel ou da quantidade de presentes que recebeu.

Mas é possível que se lembre de como se sentiu.

Que se lembre de ter sido ouvido.

De ter sido abraçado.

De ter brincado.

De ter rido.

De ter vivido dias em que seus pais, mesmo cansados e com tantas responsabilidades, conseguiram parar por alguns instantes e simplesmente estar ali.

As férias passam.

As crianças crescem.

A casa fica silenciosa depois que os brinquedos são guardados, os passeios terminam e a rotina retorna.

Mas aquilo que foi vivido com amor permanece.

Por isso, neste período de férias, se você puder viajar, viaje. Conheça novos lugares. Viva novas experiências. Crie memórias.

Se não puder, não se culpe.

Faça do que você tem o cenário de uma infância feliz.

Porque, para uma criança, o maior luxo não é conhecer o mundo inteiro.

É descobrir, dentro do seu próprio mundo, que existe alguém disposto a caminhar ao seu lado.

Que as férias sejam menos sobre o que podemos comprar e mais sobre aquilo que podemos viver.

E que, quando a infância passar, nossos filhos possam olhar para trás e lembrar não apenas dos lugares onde estiveram, mas principalmente de quem esteve com eles. Porque, no coração de uma criança, presença também é uma forma de amor.

Nathanya Moraes
Psicopedagogia Clínica
Especialista em Neurodesenvolvimento Infantil
Orientação Parental


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