28 de julho de 2026

XTreme Trader: dono nega ter ficado foragido em vídeo antes da prisão; polícia aponta movimentação de R$ 600 milhões

Investigado por esquema que movimentou cerca de R$ 600 milhões, Chico Trader disse que colaborou com o inquérito de forma remota.

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“Em nenhum momento eu estive foragido da polícia, até porque não havia mandado de prisão contra mim”, afirmou Francisco das Chagas Chaves da Silva, conhecido como Chico Trader, em vídeo divulgado antes de sua prisão.

O empresário se manifestou sobre o inquérito em que é apontado como responsável por um suposto esquema de falsas operações na Bolsa de Valores que, segundo as investigações, teria movimentado mais de R$ 600 milhões.

De acordo com o advogado de defesa, Samuel Castelo Branco, a gravação foi feita antes de Chico Trader ser preso. Apesar disso, o vídeo passou a circular e ganhou repercussão apenas nesta terça-feira (28).

“Ele gravou antes de se apresentar. Foi uma decisão dele essa apresentação. Não sei porque foi divulgado agora”, disse o advogado.

Foto: reprodução

Nas imagens, o empresário nega ter estado foragido e apresenta sua versão sobre as investigações. O caso segue sendo apurado pelas autoridades.

Chico relatou que deixou a cidade onde morava por temer represálias e buscar proteção diante de ameaças recebidas. Ele afirmou que, no início da apuração, chegou a colaborar de forma remota com as autoridades.

“Eu só realmente saí da cidade onde eu morava por causa das represálias e para me proteger das ameaças. No início da apuração, prestei depoimento online ao delegado, respondi todas as perguntas e disse que estaria disponível para qualquer esclarecimento”, afirmou.

Mandado de prisão

Segundo ele, a situação se agravou quando tomou conhecimento da existência de mandados de prisão contra si e contra a namorada. O depoente acrescentou que também soube de outros mandados relacionados a pessoas que trabalhavam na empresa Extreme.

Francisco das Chagas, conhecido como “Chico Trader” movimentou mais de R$ 600 — Foto Reprodução

Durante o inquérito, a polícia não conseguiu localizar Chico Trader. O último registro, no começo de 2026, apontava sua presença em Cidad del Este, no Paraguai.

Chico também declarou que toda a responsabilidade pela empresa Extreme recaía sobre ele, já que era o único responsável pela operação e gestão da companhia.

“Eu que operava, eu que fazia a gestão, então toda a responsabilidade sobre a empresa é minha. Se ela vier à falência, eu sou o responsável”, declarou.

Entenda o esquema

A Operação Extrema Confiança investiga um grupo suspeito de atrair investidores com promessas de altos lucros por meio de supostas operações na Bolsa de Valores.

Segundo a Polícia Civil, Francisco das Chagas Chaves da Silva, conhecido como Chico Trader, começou a atuar no mercado financeiro em 2017. Após uma parceria que teria deixado investidores com prejuízos superiores a R$ 100 mil, ele passou a atuar sozinho e fundou a empresa Xtreme Trade.

De acordo com as investigações, em 2023 ele se tornou o único sócio-administrador da empresa e intensificou a captação de recursos de investidores.

Ainda conforme a polícia, o investigado recebia investimentos por meio de dinheiro em espécie, transferências bancárias, joias e veículos, o que dificulta a mensuração exata do prejuízo causado pelo suposto esquema.

Entre aproximadamente 100 vítimas já ouvidas pelos investigadores, os prejuízos individuais variam entre R$ 200 mil e R$ 400 mil.

Prisão e investigação

Após o desaparecimento de Francisco, centenas de investidores procuraram a Polícia Civil para relatar prejuízos, o que levou à ampliação das investigações em conjunto com o Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco), do Ministério Público do Piauí.

Na segunda fase da Operação Extrema Confiança, deflagrada em junho de 2026, a Justiça expediu mandados de prisão contra integrantes do grupo, incluindo Francisco e a namorada dele, Kayra.

Os dois chegaram a ser incluídos na lista de difusão vermelha da Interpol. Francisco posteriormente se apresentou às autoridades, enquanto Kayra continua sendo procurada.

A Polícia Civil informou que as investigações seguem em andamento, com foco na localização da suspeita e na conclusão do inquérito, que será encaminhado ao Ministério Público para as medidas cabíveis.

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