
Quando pensamos em colesterol alto, é comum imaginar um problema exclusivo da vida adulta. Mas a realidade é diferente: cada vez mais crianças têm apresentado alterações nos níveis de colesterol, um cenário diretamente relacionado ao aumento da obesidade infantil, ao sedentarismo e ao consumo frequente de alimentos ultraprocessados.
O colesterol é uma gordura importante para o organismo, pois participa da produção de hormônios, vitaminas e da formação das células. O problema surge quando há excesso do colesterol LDL, conhecido como ‘colesterol ruim’, que pode começar a se depositar nas artérias desde cedo, aumentando o risco de doenças cardiovasculares ao longo da vida.
O grande desafio é que o colesterol alto, na maioria das vezes, não apresenta sintomas. A criança pode brincar, correr e aparentar estar saudável, enquanto as alterações só são identificadas por meio de exames de sangue. Por isso, pais e responsáveis devem estar atentos, principalmente quando a criança apresenta excesso de peso ou há casos de colesterol elevado, infarto ou AVC em familiares.
A alimentação tem um papel decisivo nesse contexto. Refrigerantes, biscoitos recheados, salgadinhos, embutidos, doces e fast food fazem parte da rotina de muitas famílias e, quando consumidos com frequência, favorecem o aumento do colesterol e do peso corporal. Em contrapartida, uma alimentação rica em frutas, verduras, legumes, feijões, cereais integrais e proteínas de qualidade contribui para a saúde do coração desde a infância.
Outro ponto importante é incentivar o movimento. Crianças precisam brincar, correr, pedalar e praticar atividades físicas diariamente. Reduzir o tempo em frente às telas também é uma medida que contribui para a prevenção da obesidade e das alterações no colesterol.
Mais do que tratar, o caminho é prevenir. Hábitos saudáveis construídos dentro de casa têm impacto direto na saúde das crianças e acompanham esses indivíduos por toda a vida. Afinal, cuidar da alimentação na infância é investir em adultos mais saudáveis no futuro.
Orientações para as famílias
- Priorize alimentos in natura e minimamente processados na rotina da criança.
- Reduza o consumo de refrigerantes, bebidas açucaradas, frituras, embutidos e alimentos ultraprocessados.
- Incentive pelo menos 60 minutos de atividade física por dia.
- Evite o excesso de tempo em frente às telas e estimule brincadeiras ao ar livre.
- Se houver histórico familiar de colesterol alto ou doenças cardiovasculares precoces, converse com o pediatra sobre a necessidade de avaliação do perfil lipídico da criança.
- Lembre-se: mudanças de hábitos são mais eficazes quando envolvem toda a família.
Cuidar da saúde do coração começa na infância. Pequenas mudanças na alimentação e no estilo de vida podem fazer uma grande diferença na prevenção de doenças e na promoção de uma vida mais saudável.
Por Camila Leite, nutricionista infantil e mestranda em Alimentos e Nutrição pela Universidade Federal do Piauí (UFPI)
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