Quarenta trabalhadores foram resgatados em condições análogas à escravidão entre os dias 24 de agosto e 2 de setembro, nos municípios de Sussuapara, Floriano e Oeiras, no Piauí. A operação foi realizada pelo Grupo Interinstitucional de Fiscalização Móvel, que reúne Ministério Público do Trabalho, Ministério do Trabalho e Emprego, Defensoria Pública da União e Polícia Federal.
Os fiscais encontraram 22 trabalhadores em obras de pavimentação, na construção de um colégio e de um campo de futebol society em Sussuapara. Outros 18 atuavam na extração da palha da carnaúba, sendo dez em Oeiras e oito em Floriano. Entre eles, havia um adolescente de 17 anos, o que caracteriza trabalho infantil.

Segundo o procurador do Trabalho Edno Moura, coordenador regional de Combate ao Trabalho Escravo do MPT-PI, as condições eram precárias.

“Alguns trabalhadores estavam em alojamentos superlotados, outros sem energia elétrica ou banheiros, e havia grupos dormindo ao relento, sem acesso à água potável”, disse.
O local também não tinha estrutura para que os trabalhadores se alimentassem ou fizessem as necessidades fisiológicas.
“Eles se alimentavam sentados no chão, em pedras e tocos, sem qualquer estrutura. Sem banheiros, eram obrigados a fazer necessidades ao ar livre e improvisar a higiene com paus, pedras e folhas”, acrescentou Edno Moura.
Três empregadores foram identificados e, durante a operação, pagaram cerca de R$ 200 mil em verbas rescisórias e aproximadamente R$ 95 mil em indenizações. Eles também assinaram termo de ajuste de conduta perante o Ministério Público do Trabalho, mas seguem sujeitos a responsabilização criminal.
Com os 40 trabalhadores resgatados nesta operação, o total de pessoas retiradas de condições análogas à escravidão em 2026 já chega a 100. O número é maior do que o registrado nos anos de 2025 e 2024.
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