7 de setembro de 2026

Por que nossas crianças parecem não saber perder?

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Foto: Magnific/Reprodução

Você já deixou seu filho ganhar para evitar o choro? Já voltou atrás em um “não” ou resolveu por ele um problema para poupá-lo da frustração?

Se sim, você fez o que muitos pais fazem: tentou protegê-lo. O problema começa quando tentamos protegê-lo de qualquer frustração.

Perder não é apenas ser derrotado em um jogo. É esperar, ouvir um “não”, não ser escolhido, tirar uma nota menor que a esperada ou não conseguir algo desejado.

E isso dói. Talvez por sabermos disso, tentemos evitar essas experiências. Mas precisamos perguntar:

Se retirarmos todas as pequenas frustrações da infância, quando eles aprenderão a lidar com as grandes frustrações da vida?

Seu filho pode ficar bravo

Ele pode chorar, reclamar, achar injusto ou ficar decepcionado. Você não precisa fazer essa sensação desaparecer imediatamente.

“Eu sei que você ficou bravo porque perdeu. Você pode ficar bravo, mas não pode jogar as peças no chão.”

“Eu sei que você queria isso. Hoje não vamos comprar.”

Acolher não é ceder.

Às vezes, quem não suporta a frustração somos nós

É difícil ver um filho sofrer. Muitas vezes, ao resolver tudo rapidamente, tentamos aliviar também o nosso desconforto.

Antes de intervir, espere. Observe. Pergunte: “O que você acha que pode fazer?”

Dê a ele a oportunidade de pensar, errar, pedir ajuda e tentar novamente.

A vida não vai se reorganizar diante de cada “não”

Na escola, nas amizades, nos estudos e nos esportes, haverá espera, conflitos, erros e derrotas. Não preparamos uma criança retirando todos os obstáculos, mas oferecendo presença enquanto ela aprende a atravessá-los.

Uma criança que sempre ganha não aprende a perder. Uma criança que sempre ouve “sim” pode entender a frustração como injustiça, e não como parte da vida.

Da próxima vez que seu filho perder, talvez você não precise deixá-lo ganhar. Sente perto, deixe-o se acalmar e converse depois. Ensine que perder é desagradável, mas suportável.

Nosso papel não é criar um mundo onde nossos filhos nunca percam. É ajudá-los a descobrir que podem perder, errar, esperar, ouvir um “não”, tentar novamente e seguir em frente.

Preparar uma criança para a vida não é garantir que ela sempre ganhe. É ajudá-la a continuar mesmo quando perder.

Nathanya Moraes

Psicopedagoga Clínica; Orientação Parental; Desenvolvimento infantil; Neuroeducação


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