
Precisamos parar de preencher todos os espaços vazios das nossas vidas.
Criamos tecnologias para facilitar a rotina, encurtar caminhos e economizar tempo. Temos hoje muito mais recursos do que qualquer geração anterior teve para fazer as coisas de maneira rápida e eficiente. Ainda assim, talvez nunca tenhamos repetido tanto: “Eu não tenho tempo.”
E isso me faz pensar: o que estamos fazendo com todo o tempo que conseguimos economizar?
Parece que, cada vez que alguma coisa nos devolve alguns minutos, imediatamente encontramos outra obrigação para colocar naquele espaço. Mais uma tarefa. Mais uma mensagem para responder. Mais uma meta. Mais alguma coisa para produzir.
Desaprendemos a deixar o tempo vazio.
Ficamos desconfortáveis quando não estamos fazendo nada. Como se todo minuto precisasse ter uma finalidade, produzir algum resultado, gerar dinheiro, resolver um problema ou nos aproximar de algum objetivo.
Mas quando foi que simplesmente estar vivo deixou de ser uma razão suficiente para usar o nosso tempo?
Tomar um café sem olhar o celular. Sentar e conversar sem pressa. Ouvir uma música inteira. Ficar alguns minutos em silêncio. Olhar pela janela. Estar com quem amamos sem transformar aquele encontro em mais um compromisso da agenda.
Talvez tenhamos confundido viver melhor com conseguir fazer mais.
E toda vez que a tecnologia abre um espaço na nossa rotina, corremos para dar a esse espaço um novo trabalho. No final, economizamos minutos de todos os lados e continuamos vivendo com a sensação permanente de que estamos atrasados.
Talvez não esteja faltando tempo.
Talvez esteja faltando coragem para não preencher cada minuto dele.
Nem todo espaço vazio precisa ser ocupado. Nem todo tempo precisa ser produtivo. Nem tudo aquilo que vale a pena precisa apresentar algum resultado.
Às vezes, o melhor que podemos fazer com o tempo que conseguimos economizar é justamente isto:
Não fazer mais.
Viver mais.
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