
O engenheiro Antônio Santana, responsável pelo Plano Diretor de Transporte Coletivo de Teresina, defendeu, em entrevista à Rede Clube, uma reformulação do sistema de transporte público da capital e alertou para os impactos sociais provocados pela redução do número de usuários de ônibus.
Segundo ele, a perda de passageiros tem contribuído para o aumento do uso de motocicletas e, consequentemente, para o crescimento dos acidentes de trânsito. De acordo com Santana, a participação do transporte coletivo nas viagens motorizadas da cidade caiu drasticamente nos últimos anos.

“Hoje, o usuário não quer pegar ônibus em Teresina. Só para você ter uma ideia, quando foi feito o plano, 36% das viagens motorizadas andavam de ônibus. Hoje não chega a 15%”, afirmou.
O engenheiro destacou ainda que a frota em operação está abaixo do necessário para atender à demanda. “A população abandonou o sistema. Vai de moto, mototáxi, de carro, mas não vai no sistema de transporte”, acrescentou.
AUMENTO DE ACIDENTES COM MOTOS
Na avaliação do especialista, o enfraquecimento do transporte público tem reflexos diretos na segurança viária da capital. Segundo ele, o aumento do uso de motocicletas contribui para índices elevados de acidentes e mortes.
“Nós matamos cinco vezes mais em acidente de trânsito, principalmente moto, do que Fortaleza. Nós matamos duas vezes mais do que a média das capitais brasileiras”, declarou.
Para ele, a degradação do sistema de transporte coletivo está diretamente ligada a esse cenário.
“A forma que chegou a degradação do sistema de transporte, que não está servindo para transportar a população, está causando um grande prejuízo financeiro para a prefeitura e um prejuízo muito maior social”, afirmou.
REORGANIZAÇÃO DA FROTA
O engenheiro também criticou soluções baseadas apenas na aquisição de novos veículos. Segundo ele, é necessário reorganizar toda a rede de transporte.
“Não basta comprar ônibus. Comprar ônibus e botar nas mesmas linhas, do mesmo jeito que opera hoje Teresina, é jogar dinheiro fora”, defendeu.
A proposta apresentada por Santana prevê a retomada do sistema tronco-alimentado, com linhas alimentadoras levando os passageiros até terminais de integração, de onde partiriam ônibus com maior frequência para diferentes regiões da cidade.
Outro ponto destacado pelo especialista é a necessidade de adequar o transporte ao novo perfil urbano da capital. Segundo ele, quando o plano foi elaborado, a maior parte das viagens tinha o Centro como destino principal. Hoje, porém, a expansão da zona Leste alterou essa dinâmica.
Para Santana, o redesenho da rede é essencial para tornar o transporte coletivo mais eficiente e atrativo para a população.
“O desenho das linhas está errado. Todo mundo vai para o centro. A atração de viagem caiu muito no centro e aumentou muito na zona Leste”, explicou.
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