
O Ministério Público do Piauí (MPPI) pediu à Justiça a suspensão do show do cantor Rey Vaqueiro, contratado pela Prefeitura de Cabeceiras do Piauí por R$ 500 mil. A apresentação está marcada para este sábado (19), durante a Festa da Carnaúba.
Segundo o MPPI, existem indícios de possível encarecimento do valor no contrato. A Promotoria comparou o preço com contratações do mesmo cantor feitas por outras prefeituras do Piauí entre 2025 e 2026. Nesses casos, os valores ficaram entre R$ 125 mil e R$ 350 mil.
De acordo com o Ministério Público, o contrato de Cabeceiras do Piauí ficou R$ 150 mil acima do maior valor encontrado nos contratos usados como comparação. A ação foi apresentada pela 2ª Promotoria de Justiça de Barras, comandada pelo promotor Roberto Monteiro Carvalho. Além da suspensão da apresentação, o MPPI pediu que sejam interrompidos os pagamentos relacionados ao contrato e que a prefeitura apresente documentos sobre a contratação.
Outro ponto questionado pelo Ministério Público é o pagamento do cachê. Segundo a ação, a prefeitura liquidou toda a despesa de R$ 500 mil no dia 10 de setembro, nove dias antes da apresentação.
Para o MPPI, o pagamento antes da realização do serviço pode contrariar regras de execução da despesa pública.
A ação também questiona o impacto da contratação nas contas do município. Conforme o Ministério Público, os R$ 500 mil destinados ao show são superiores aos valores previstos no orçamento para alguns setores da administração e representam mais de três vezes os recursos destinados a programas de Cultura e Turismo.
O que pede o MP
Entre os pedidos feitos à Justiça estão:
- Suspensão imediata do show;
- Bloqueio de transferências relacionadas ao contrato;
- Apresentação de documentos pela Prefeitura de Cabeceiras do Piauí;
- Aplicação de multa diária de R$ 10 mil caso uma eventual decisão judicial que determine a suspensão do show ou dos pagamentos seja descumprida.
A Rede Clube procurou a Prefeitura de Cabeceiras do Piauí para comentar os questionamentos levantados pelo Ministério Público do Estado do Piauí (MPPI), mas, até a última atualização desta reportagem, não havia obtido retorno.
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