22 de setembro de 2026

Homem é preso após ameaçar, perseguir e ofender juíza que conduzia processos contra ele em Teresina

Investigado já respondia a processos por homofobia e teria enviado mensagens intimidatórias à magistrada; prisão foi cumprida pela DEOP na manhã desta terça-feira (22)

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Delegacia Geral da Polícia Civil do Piauí. (Foto: Alysson Camurça)

Um homem identificado como Cassimiro Cardoso Dos Santos Neto foi preso, na manhã desta terça-feira (22), em Teresina (PI), suspeito de ameaçar, perseguir, caluniar e difamar uma juíza que atua em processos nos quais ele é investigado. A prisão preventiva foi cumprida por equipes da Diretoria Especializada em Operações Policiais (DEOP).

Segundo o coordenador da DEOP, delegado Tales Gomes, o investigado já responde a processos relacionados à prática de homofobia e passou a direcionar ataques à magistrada responsável pelos casos.

“Desde o ano passado ele vem sendo investigado em processos por homofobia. Uma das juízas que está atuando nesses processos passou a ser ameaçada, caluniada e perseguida pelo investigado”, afirmou o delegado.

De acordo com a Polícia Civil, além de procurar a magistrada no fórum e fazer acusações na presença de servidores, o homem teria obtido o telefone pessoal da juíza e iniciado uma série de contatos por aplicativos de mensagens.

“Ele foi ao fórum, procurou a juíza na frente de vários servidores, caluniou e difamou a magistrada. Além disso, conseguiu o telefone pessoal dela e passou a enviar áudios e mensagens com tom ameaçador, além de conteúdos ofensivos”, relatou Tales Gomes.

Delegado Tales Gomes. (Foto: Gil Oliveira)

As ameaças deram origem a uma nova investigação, que apura crimes contra a honra e perseguição.

Segundo o delegado, durante o interrogatório o próprio investigado confirmou ter enviado mensagens para a magistrada e comparecido ao local de trabalho dela.

“Ele confirmou que mandou mensagens para a juíza, que esteve no local de trabalho dela e reiterou as acusações que fazia contra a condução do processo. Tudo isso ficou registrado em interrogatório”, disse.

Ainda conforme a polícia, aparelhos celulares foram apreendidos e passarão por perícia para análise das mensagens e demais elementos que possam reforçar a investigação.

HISTÓRICO DE AMEAÇAS

O delegado revelou que esta não é a primeira vez que o investigado é acusado de intimidar autoridades. Segundo ele, uma delegada que conduzia uma investigação anterior também teria relatado coações durante o andamento do procedimento.

“No primeiro inquérito de homofobia ele já teria ameaçado a delegada responsável pela investigação. Em razão disso, fui designado para conduzir o procedimento em caráter especial”, explicou.

A investigação inicial, segundo a polícia, surgiu a partir de conflitos familiares envolvendo a divisão de um imóvel herdado, situação que teria motivado episódios de homofobia contra um irmão do investigado.

Durante o cumprimento do mandado, a polícia optou por uma abordagem considerada estratégica para evitar reações mais graves.

“Nós conhecemos o perfil agressivo do investigado. Por isso fizemos a retirada dele da residência de forma cautelosa, sem informar imediatamente que se tratava de uma prisão, justamente para evitar qualquer reação mais grave”, afirmou Tales Gomes.

O delegado também relatou que o homem apresentou comportamento agressivo durante a condução e chegou a criar tumulto na frente da delegacia.

“Ele demonstrou agressividade inclusive com profissionais da imprensa. Diante desse comportamento, foi necessário reforçar os cuidados durante a condução para garantir a segurança de todos os envolvidos”, disse.

Ao ser conduzido pela polícia, Cassimiro Cardoso negou ter praticado ameaças e afirmou que suas manifestações foram motivadas por insatisfação com decisões judiciais relacionadas a um caso envolvendo sua esposa. Segundo ele, as mensagens enviadas à magistrada tinham o objetivo de cobrar providências e denunciar supostas irregularidades no andamento de processos.

“Assédio é crime, assim como a homofobia. Eu apenas rebati situações que venho sofrendo e cobrei uma situação envolvendo a minha esposa. Tenho como provar e vou buscar a Justiça”, declarou.

O investigado também justificou o fato de ter procurado pessoalmente a juíza responsável pelo caso.

“Porque ela já me conhecia de outras situações e, na minha visão, agiu de má-fé contra a minha pessoa. Eu fui cobrar uma situação que considero injusta”, afirmou.

Após os procedimentos legais, o preso foi encaminhado ao sistema prisional e permanecerá à disposição da Justiça. Os processos relacionados às acusações de homofobia e às ameaças contra a magistrada continuam em tramitação.


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