13 de outubro de 2026

Após incêndio, Embrapa calcula prejuízo superior a R$ 1 milhão e inicia recuperação de área devastada

Fogo destruiu 61 hectares da unidade em Teresina, atingiu áreas de pesquisa e deixou perdas ambientais que ainda não foram totalmente dimensionadas.

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Uma semana após o incêndio de grandes proporções que atingiu a Embrapa Meio-Norte, na zona Norte de Teresina, o foco agora é recuperar a área devastada, contabilizar os prejuízos e impedir o surgimento de novos focos de fogo. Segundo a instituição, os danos à infraestrutura já ultrapassam R$ 1 milhão, mas as perdas ligadas às pesquisas e ao meio ambiente ainda estão sendo avaliadas.

O incêndio consumiu cerca de 61 hectares da área da Embrapa e atingiu campos experimentais utilizados em pesquisas com espécies típicas da região, como cajá, bacuri, caju, mangaba, manga rosa e xixá.

Incêndio na Embrapa em Teresina. (Foto: reprodução)

De acordo com o chefe-geral da Embrapa Meio-Norte, Anísio Lima, apesar de a situação estar controlada, a instituição segue em alerta. O último foco registrado foi apagado na última sexta-feira (09), quatro dias após o incêndio principal.

“Estamos há quatro dias sem fogo e agora a equipe está se debruçando na monetização dos danos, dos impactos, para poder buscarmos soluções a várias mãos”, afirmou.

Segundo ele, além da recuperação física da área, será necessário um trabalho conjunto envolvendo órgãos públicos e a comunidade para evitar novas ocorrências.

“Nós precisamos de um ordenamento administrativo complexo que envolve interação com o público externo, monitoramento de agravos, recuperação de infraestrutura danificada e, principalmente, não desestimular as equipes frente a esse momento crítico que estamos passando”, destacou.

Área da Embrapa após incêndio. (Foto: TV Clube)

PESQUISAS COMPROMETIDAS

Além dos prejuízos materiais, a principal preocupação da Embrapa está relacionada aos experimentos científicos prejudicados pelo fogo.

A unidade desenvolve pesquisas voltadas ao melhoramento genético de espécies frutíferas e árvores nativas, buscando plantas mais resistentes, produtivas e adaptadas às condições climáticas da região.

Para Anísio Lima, o impacto sobre as pesquisas pode ser ainda maior do que os danos à infraestrutura.

“O nosso prejuízo passa de um milhão de reais. Isso em infraestrutura. Agora, se nós formos mensurar os danos da pesquisa, eles são muito, muito superiores. Porque envolve trabalhos de décadas que vêm sendo desenvolvidos”, afirmou.

Segundo a instituição, ainda não é possível determinar quantas plantas foram perdidas definitivamente. A avaliação dependerá da chegada do período chuvoso, quando será possível verificar quais espécies conseguirão se regenerar naturalmente.

RECUPERAÇÃO PODE LEVAR 10 ANOS

O biólogo e ambientalista Ribamar Rocha explica que os impactos ambientais de um incêndio dessa magnitude são duradouros e afetam não apenas a vegetação, mas também a fauna local.

“Quando tem um incêndio, o solo fica exposto e compromete a fertilidade. Então, a primeira vegetação que vai retornar é aquela mais rasteira, em torno de dois anos”, explicou.

Segundo ele, a recomposição da vegetação de maior porte é um processo lento.

“Só dali a uns oito anos é que vai ter a vegetação lenhosa, mas ainda não com muita diversidade. Então, a gente tem uma previsão em torno de 14 anos para que haja uma recuperação daquela vegetação, reconstituindo os ecossistemas”, afirmou.

O ambientalista ressaltou ainda que os animais silvestres também sofrem consequências significativas, já que perderam abrigo e fontes de alimento.

Jardim Botânico do Mocambinho, próximo à Embrapa. (Foto: TV Clube)

TRABALHO DE PREVENÇÃO

A suspeita inicial é de que o incêndio tenha começado após uma queima de lixo em uma área próxima ao muro que separa a Embrapa de bairros da região Norte de Teresina.

Diante disso, a instituição pretende reforçar ações de conscientização junto aos moradores vizinhos e buscar apoio de órgãos públicos para evitar novas ocorrências.


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