Diversos municípios do Piauí apareceram entre os mais quentes do Brasil nos últimos dias. Na quarta-feira (14), Oeiras registrou a maior temperatura do país, seguida por Piripiri, Castelo do Piauí, São João do Piauí, Picos, Campo Maior e Teresina. As condições de calor intenso podem representar riscos à saúde de gestantes e recém-nascidos.
A sensação de calor durante a gestação é, muitas vezes, considerada uma resposta fisiológica normal do corpo. No entanto, para Mariana Moraes, que está grávida, as dificuldades provocadas pelas altas temperaturas são percebidas diariamente e já resultaram em situações de alerta.

“A dificuldade é sempre esse mal-estar que sentimos, associado a tontura e queda de pressão. Como eu já tive isso, precisei me dirigir à urgência de uma maternidade. Fiquei alguns dias mal”, relatou.
Uma pesquisa desenvolvida pela Agenda Teresina 2030, da Prefeitura de Teresina, em parceria com a Organização das Nações Unidas (ONU), avaliou os impactos do calor na saúde de gestantes da capital. O estudo, intitulado Avaliação do Impacto do Calor na Saúde de Mulheres Grávidas em Teresina, foi realizado com 411 mulheres atendidas em 75 Unidades Básicas de Saúde (UBS).
O levantamento apontou que 83,7% das entrevistadas afirmaram que o calor afeta negativamente seu bem-estar. Além disso, 66% relataram desconforto frequente devido às altas temperaturas, enquanto 44% classificaram a intensidade do calor como extremamente alta.
As gestantes também relataram preocupações com possíveis efeitos do calor sobre a saúde, como agravamento da falta de ar, ansiedade, insolação, desmaios, tonturas e alterações na pressão arterial. Entre os temores mencionados estavam ainda a eclâmpsia, o parto prematuro, a depressão e outros problemas que poderiam colocar em risco a vida da mãe e do bebê.
O gestor de saúde pública da Fundação Municipal de Saúde (FMS), Breno Noah, destacou que o órgão atua de forma integrada para orientar e acolher gestantes que procuram atendimento com sintomas relacionados ao calor.
“A gente vem trabalhando com uma classificação de risco diferenciada, colocando essas gestantes como um grupo prioritário nos atendimentos, nos riscos ao pré-natal e no acesso ao pré-natal de médio risco. Esse projeto vem se expandindo, estudando infecções do trato urinário, diferentes possibilidades de resfriamento e análise desde o plano de arquitetura e urbanismo, na qualidade da casa dessas gestantes, até medidas clínicas que vão analisar os inchaços causados por esse calor, que são agravados na gestação, a avaliação da pressão arterial e outros fatores de risco dessas gestantes”, explicou.
Segundo a ginecologista e obstetra Rafaela Machado, a desidratação exige atenção redobrada durante a gravidez, especialmente em períodos de calor intenso.

“Com o calor excessivo, na gravidez se perde mais água, então ela [a gestante] vai se desidratar. Se não beber o suficiente para conseguir essa hidratação, não consegue fechar esse balanço. Com isso, tem aquela sensação de tontura, pode ter sensação de desmaio, pressão baixa e aquela exaustão o tempo todo, a sensação de que está muito cansada e pode passar mal mesmo”, afirmou.
Para reduzir os efeitos do calor, a recomendação é reforçar a hidratação e, sempre que possível, evitar ambientes quentes, sem climatização ou pouca arborização. Em caso de agravamento dos sintomas, é importante procurar atendimento médico.
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